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Sítio arqueológico do Cemitério dos Africanos é oficialmente sinalizado em Salvador

Data:
Antonio Dilson Neto

Área na Pupileira está interditada desde outubro por recomendação do MPBA

Sítio arqueológico do Cemitério dos Africanos é oficialmente sinalizado em Salvador
Divulgação/MP-BA

O reconhecimento público do Cemitério dos Africanos como sítio arqueológico avançou mais uma etapa simbólica e institucional nesta segunda-feira, 26, com a instalação de uma placa no estacionamento frontal do Complexo da Pupileira, em Salvador. O ato contou com a participação do Ministério Público da Bahia, por meio do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac), além de pesquisadores, representantes do Iphan, lideranças religiosas e membros da sociedade civil.

A área, hoje interditada, passou a ser formalmente protegida após a identificação de vestígios arqueológicos que confirmam o uso do espaço como local de sepultamento de africanos escravizados. Desde outubro, o estacionamento deixou de funcionar por recomendação do MPBA à Santa Casa de Misericórdia, proprietária do complexo, com base em pareceres técnicos do Iphan e no registro do sítio no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos.

A escolha do período também carrega forte carga simbólica. A instalação ocorre na semana que marca o aniversário da Revolta dos Malês, levante histórico de africanos muçulmanos escravizados ocorrido em Salvador, em janeiro de 1835. 

Do ponto de vista técnico, o Iphan reforçou que a área está protegida pela legislação federal de arqueologia.

A instalação da placa foi viabilizada após solicitação das pesquisadoras Jeanne Dias e Silvana Olivieri, responsáveis pelos estudos arqueológicos que fundamentaram o reconhecimento oficial do sítio. O pedido recebeu aval do MPBA, aprovação do Iphan e anuência da Santa Casa de Misericórdia, abrindo caminho para uma nova fase de debates sobre preservação, memória e uso do espaço urbano.

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