WhatsApp

Brasileira recorre a suicídio assistido na Suíça: ‘quero uma morte sem dor’

Data:
Da redação

Célia Maria Cassiano enfrentava doença degenerativa que provoca perda progressiva dos movimentos e da fala

Brasileira recorre a suicídio assistido na Suíça: ‘quero uma morte sem dor’
Reprodução/ Redes Sociais

A professora brasileira Célia Maria Cassiano, de 67 anos, decidiu encerrar a própria vida após o avanço de uma doença degenerativa que, aos poucos, retirava sua autonomia. O procedimento de suicídio assistido foi realizado em Zurique, na Suíça, onde a prática é permitida em condições específicas. Familiares informaram que o procedimento já foi realizado.

Na quarta-feira (15), Célia publicou um vídeo em suas redes sociais em que explicou a decisão e se despediu. Diagnosticada em 2024 com atrofia muscular progressiva (AMP), uma doença rara que afeta os neurônios motores, ela passou a depender de cuidadores para atividades básicas e viu sua fala ser comprometida com o tempo. No registro, descreveu o impacto da doença no próprio corpo: “Fisicamente, estou sendo destruída”.

A decisão, segundo ela, foi tomada após reflexão sobre os limites da própria condição. “Eu avaliei bem e decidi lutar pelo meu direito de ter uma morte digna”, afirmou. No mesmo vídeo, também chamou atenção para a dificuldade de discutir o tema no Brasil. “As pessoas evitam falar sobre isso”, disse.

Para organizar a viagem e atender às exigências legais, foi necessário reunir laudos médicos e contar com apoio jurídico. A educadora afirmou que disse a profissionais de saúde que viajaria para participar de um estudo clínico, como forma de viabilizar o processo, e posteriormente pediu desculpas pela omissão.

Na despedida, transformou a própria decisão em um posicionamento público. Célia fez um apelo para que brasileiros lutem pela regulamentação do suicídio assistido no país, destacando que outras pessoas em situações semelhantes deveriam ter o direito de escolha. “Não é uma obrigação, é uma possibilidade. Vou em paz, fiquem em paz”, declarou.

Professora de Ciências Sociais e mestranda em multimeios pela Unicamp, Célia também atuava na área artística, com passagens por instituições como o Sesc e a Esamc, em Campinas. Nas redes sociais, compartilhava reflexões sobre a doença e defendia o avanço de pesquisas voltadas ao tratamento de condições neuromusculares.

Tenha notícias
no seu e-mail