A França enfrenta nesta quinta-feira (5) mais um dia de greve e manifestações contra o governo do presidente Emmanuel Macron. A mobilização reúne sindicatos, servidores públicos e estudantes, que cobram medidas para melhorar o poder de compra da população, ampliar investimentos nos serviços públicos e enfrentar problemas na educação. Para conter possíveis episódios de violência, as autoridades mobilizaram cerca de 70 mil policiais em todo o país.
O transporte público foi severamente afetado. A Torre Eiffel, principal ponto turístico do país, está fechada.
A convocação foi organizada por centrais sindicais, entre elas a CGT, e conta com o apoio de grupos estudantis. A expectativa dos serviços de inteligência franceses era de que entre 500 mil e 700 mil pessoas participassem dos atos fora de Paris. Mais de 220 manifestações estavam previstas em diferentes regiões do país.
As reivindicações envolvem reajustes salariais, defesa do poder de compra, melhores condições de trabalho e mais recursos para serviços públicos, especialmente educação. O movimento, que começou com mobilizações estudantis contra a deterioração das condições nas escolas, ganhou adesão de outras categorias e passou a representar uma contestação mais ampla às políticas do governo.
Governo teme novos episódios de violência
O reforço na segurança ocorre após os tumultos e saques registrados em 17 de outubro, quando lojas e prédios públicos foram danificados em diferentes cidades francesas. Os episódios surpreenderam as forças de segurança e aumentaram as críticas à condução da crise pelo governo Macron.
Na véspera da nova mobilização, o presidente convocou uma reunião de defesa e segurança para discutir a situação. O Ministério do Interior informou que os 70 mil agentes mobilizados atuarão no acompanhamento das manifestações e na prevenção de depredações e confrontos.
O impacto da greve também alcança serviços essenciais. O Ministério da Educação estimou que 17,5% dos professores da rede pública de ensino fundamental participariam da paralisação. Sindicatos alertaram ainda para possíveis interrupções no transporte ferroviário e no transporte público. No setor de energia, a greve já provocou uma redução de 2,4 gigawatts na produção nuclear francesa no início do dia.
A mobilização ocorre a cinco meses da eleição presidencial e amplia a pressão política sobre Macron. Partidos de oposição têm buscado associar o descontentamento popular às decisões econômicas e sociais do governo, enquanto sindicatos indicam que os protestos podem continuar nas próximas semanas.