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EUA propõem novo tarifaço de 25% sobre produtos do Brasil e abrem crise comercial entre países

Data:
Antonio Dilson Neto

Órgão americano acusa políticas brasileiras de comércio digital e desmatamento de prejudicarem os EUA

EUA propõem novo tarifaço de 25% sobre produtos do Brasil e abrem crise comercial entre países
AFP

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs, em um documento divulgado no final da noite desta segunda-feira (1º), a aplicação de uma tarifa punitiva de 25% sobre todas as importações vindas do Brasil. A medida drástica abre uma nova frente de crise comercial entre os dois países e abre exceção apenas para mercadorias enquadradas como "sujeitas às tarifas de segurança nacional".

O órgão do governo americano determinou que uma série de políticas adotadas pelo governo brasileiro — envolvendo comércio digital, tarifas específicas e o combate ao desmatamento ilegal — são passíveis de ação judicial sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Essa ferramenta legal permite que Washington investigue e retalie nações estrangeiras cujas práticas comerciais sejam classificadas como injustas ou prejudiciais aos interesses americanos.

Apesar da abrangência do "tarifaço", um grupo estratégico de produtos brasileiros ficou livre das sanções propostas. A lista de isenções inclui commodities de peso na balança comercial, como:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Certas frutas e nozes;
  • Especiarias;
  • Petróleo;
  • Minérios metálicos.

Em nota oficial, o USTR detalhou que o cerne da retaliação está fundamentado em práticas consideradas desleais. Segundo o órgão, "certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; aplicação de medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA".

O governo americano, contudo, não aplicará as penalidades de forma imediata. Antes da adoção definitiva de qualquer sanção corretiva, a gestão de Donald Trump realizará consultas públicas e audiências para avaliar a proposta. O Escritório do USTR agendou uma audiência oficial sobre o tema para o dia 6 de julho de 2026.

A data limite legal para a definição, anúncio e aplicação das chamadas "medidas corretivas" contra o mercado brasileiro foi fixada para o dia 15 de julho de 2026.

A movimentação de Washington não pegou a diplomacia brasileira totalmente de surpresa. Conforme antecipado pela CNN, o Palácio do Planalto já monitorava os sinais emitidos pela Casa Branca e aguardava o anúncio de uma nova sanção para os próximos dias. A expectativa interna do governo liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva era exatamente de que ocorresse uma recomendação de punição, mas com um prazo de carência antes da execução prática.

As negociações de bastidores vinham ocorrendo há meses, mas não foram suficientes para barrar a proposta de taxação. O Embaixador Jamieson Greer confirmou que a investigação foi aberta a pedido direto do presidente Donald Trump para conter preocupações comerciais antigas.

“Ao longo do último ano, o Presidente Trump e eu tivemos várias reuniões construtivas com o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, que se intensificaram nas últimas semanas. Contudo, continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação. Aguardo com expectativa a continuação do diálogo com o Governo brasileiro, antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas”, declarou Greer.

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