WhatsApp

Fábrica na Bahia é comprada por R$ 1 por empresa australiana

Data:
Antonio Dilson Neto

Negócio envolve unidade de sulfato de magnésio em Feira de Santana, que está em recuperação judicial e acumula cerca de R$ 15,3 milhões em passivos.

Fábrica na Bahia é comprada por R$ 1 por empresa australiana
Redes sociais

A empresa australiana Brazilian Critical Minerals (BCM), especializada na exploração de minerais críticos e terras raras, fechou um acordo para adquirir 90% da Sais Nordeste Indústria e Comércio, fabricante de sulfato de magnésio instalada em Feira de Santana, na Bahia. O valor nominal da participação é de apenas R$ 1, mas a operação envolve a reestruturação financeira e operacional da companhia baiana, além da negociação de passivos estimados em R$ 15,3 milhões.

A aquisição será realizada por meio da subsidiária brasileira Mineração BBX do Brasil. Pelo acordo, a BCM ficará responsável por financiar e acompanhar o processo de recuperação da fábrica, que suspendeu as atividades em fevereiro deste ano e entrou em recuperação judicial após enfrentar dificuldades para cumprir compromissos financeiros.

Entre os passivos que serão tratados na operação estão dívidas tributárias federais e estaduais, além de outras obrigações acumuladas pela Sais Nordeste. A transferência dos 90% da empresa, entretanto, ainda depende do cumprimento das condições estabelecidas no acordo e de aprovações judiciais, regulatórias e societárias relacionadas ao processo de recuperação judicial. Os atuais acionistas permanecerão com os 10% restantes.

A movimentação também envolve a formação de uma cadeia de fornecedores na própria Bahia. A BCM firmou acordos com empresas do estado para garantir o fornecimento dos principais insumos necessários à produção de sulfato de magnésio, entre eles o óxido de magnésio e o ácido sulfúrico.

O ácido sulfúrico poderá ser fornecido pela Unigel a partir do Polo Industrial de Camaçari. Já o óxido de magnésio deverá ser obtido de indústrias de magnesita concentradas na região de Brumado.

A estratégia da empresa australiana está relacionada ao esforço para reduzir a dependência da cadeia global de minerais críticos em relação à China. Segundo informações divulgadas pela CNN, a BCM avalia que o endurecimento das regras chinesas de exportação passou a afetar não apenas produtos acabados, mas também equipamentos, insumos e conhecimento técnico necessários para o desenvolvimento de novos projetos.

A China concentra atualmente a maior reserva conhecida de terras raras, com cerca de 44 milhões de toneladas. O Brasil aparece na segunda colocação, com aproximadamente 21 milhões de toneladas em reservas. Apesar do potencial, a produção brasileira desses minerais ainda é considerada baixa em comparação com o tamanho das reservas.

Tenha notícias
no seu e-mail