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Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano ligado ao caso Marielle

Data:
Atualizado em: 22 de Setembro de 2026
Larissa Carneiro*

Conversas encontradas no celular de Robson Calixto mostram negociação de recurso público com o gabinete do senador

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano ligado ao caso Marielle
Reprodução/Arquivos

 


Uma assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou, em 2023, a liberação de uma emenda parlamentar com Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”. As conversas foram encontradas pela Polícia Federal no celular de Calixto durante as investigações sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

Calixto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a nove anos de prisão por integrar uma organização criminosa armada ligada aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, apontados como mandantes da morte da vereadora e do motorista.

O recurso, de R$ 199 mil, foi destinado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), que mantém um projeto de futebol na Taquara, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Nas mensagens, Calixto procura Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio, para tratar da liberação do dinheiro.

Reprodução/PF

Em uma das conversas, “Peixe” pede que a assessora veja com o senador se ele poderia ajudar o instituto. Ela orienta que ele envie a solicitação por e-mail ou ofício e, depois, pergunta quando ele estaria em Brasília para conversar pessoalmente com Flávio. O pagamento ao Ifop ocorreu em novembro de 2023.

As mensagens também registram outros contatos entre a assessora e Calixto. Em uma delas, ela convida “Peixe” e Chiquinho Brazão para uma cerimônia. Em outra, pede quatro ingressos para um camarote no desfile das campeãs do Carnaval. A PF classificou o pedido como uma possível vantagem indevida.

O Ifop fica na Taquara, região que aparece em investigações relacionadas à atuação dos irmãos Brazão. Não há, porém, indicação de que o projeto esportivo tenha relação com o assassinato de Marielle.

Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda seguiu os critérios técnicos do Ministério do Esporte e a legislação. O senador também disse que, após o repasse, a execução do recurso é responsabilidade da entidade beneficiada.

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