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Banco Master, Moraes e Vorcaro; entenda o novo escândalo da política brasileira

Data:
Maria Eduarda Moura

Informações vieram a público após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo de parte dos documentos

Banco Master, Moraes e Vorcaro; entenda o novo escândalo da política brasileira
STF

Novos documentos da Polícia Federal colocaram o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no centro das investigações relacionadas ao Banco Master. O material reúne mensagens, registros de encontros e informações sobre contratos entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

As informações vieram a público após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, retirar o sigilo de parte dos documentos. Mendonça também solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os elementos envolvendo Moraes.

Mensagens entre Moraes e Vorcaro

Entre os documentos estão mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, direcionadas a Moraes. Em uma delas, enviada pouco antes da prisão do empresário, Vorcaro questiona se deveria estar fora na segunda-feira.

Em outra conversa, o banqueiro pede que Moraes tente interceder junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para adiar uma medida que, segundo ele, poderia levar à quebra do banco. A PF identificou Moraes como destinatário das mensagens após determinação de Mendonça.

A existência das mensagens, no entanto, não comprova que Moraes tenha atendido aos pedidos de Vorcaro ou interferido na investigação. A eventual atuação do ministro em benefício do banqueiro é justamente uma das questões que poderão ser analisadas pelas autoridades.

Contrato com escritório da esposa

Outro ponto investigado envolve o escritório de Viviane Barci de Moraes. A banca firmou contrato com o Banco Master para prestação de serviços jurídicos, com valor previsto de cerca de R$ 131 milhões ao longo de três anos.

De acordo com o escritório, a área de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre a existência de possíveis impedimentos legais para a contratação. A justificativa apresentada foi verificar se havia processos relacionados ao banco sob relatoria do ministro ou julgamentos dos quais ele participasse.

O escritório afirma que concluiu não haver impedimento para a contratação. A relação comercial, por si só, não caracteriza irregularidade.

Participação de Moraes no contrato

A análise dos documentos apreendidos pela PF indicou que Alexandre de Moraes aparece associado a alterações na versão final do contrato. Segundo os registros, o ministro teria editado o documento antes da assinatura.

A informação foi confirmada pelo escritório, que afirmou que Moraes foi consultado como marido da sócia-diretora para avaliar possíveis impedimentos jurídicos. O caso passou a ser questionado porque o contrato envolvia uma empresa cujo controlador mantinha contatos pessoais com o ministro.

Pagamentos ao escritório

As mensagens encontradas no celular de Vorcaro também registram cobranças relacionadas aos pagamentos ao escritório de Viviane. Em um dos episódios, o banqueiro demonstrou preocupação com um pagamento de aproximadamente R$ 3,4 milhões.

A documentação deverá ser analisada para verificar a regularidade das transações e se houve alguma relação entre os pagamentos, os contatos pessoais de Vorcaro com autoridades e eventuais decisões envolvendo o Banco Master.

Até o momento, não há conclusão pública de que os pagamentos tenham sido ilegais ou que Alexandre de Moraes tenha recebido valores do banco.

Relação com outras autoridades

O material da PF também mostra que Vorcaro buscava estabelecer contato com diferentes autoridades e pessoas influentes. Entre os nomes mencionados estão o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O ex-ministro Fábio Faria também aparece nas investigações. Segundo mensagens divulgadas, ele teria intermediado o primeiro contato entre Vorcaro e Moraes. Faria afirmou que apenas indicou o escritório da esposa do ministro para uma demanda jurídica e negou conhecer os valores envolvidos no contrato.

Mendonça também se encontrou com Vorcaro

O caso ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (2). André Mendonça confirmou que se reuniu uma vez com Daniel Vorcaro, em março de 2025, antes de assumir a relatoria das investigações sobre o Banco Master.

Segundo Mendonça, o encontro foi solicitado pelo empresário e tratou de questões relacionadas a precatórios. O ministro afirmou que se limitou a ouvir os argumentos apresentados por Vorcaro e também recebeu o advogado do banqueiro.

Mendonça declarou ainda que sua atuação posterior no processo ocorreu de forma independente e que chegou a tomar decisões contrárias aos interesses do Banco Master.

O que será investigado

A divulgação dos documentos não significa que Alexandre de Moraes tenha sido considerado culpado de qualquer crime. O material apresenta elementos que podem ser investigados, mas ainda será necessário determinar se houve alguma irregularidade.

Entre os principais pontos estão a natureza dos contatos entre Moraes e Vorcaro, a participação do ministro na elaboração do contrato com o escritório de sua esposa, os pagamentos realizados pelo banco e os pedidos feitos pelo empresário antes de sua prisão.

Mendonça pediu que a PGR se manifeste sobre os elementos encontrados pela PF e defendeu que o assunto seja discutido pelo plenário do STF.

Pressão política

As revelações aumentaram a pressão de setores da oposição pelo afastamento ou impeachment de Moraes. O caso também ampliou a discussão sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo ministros do STF.

Eventuais crimes de responsabilidade cometidos por ministros do Supremo são analisados pelo Senado, enquanto uma eventual investigação criminal depende da observância das regras de competência e autorização previstas para integrantes da Corte.

Por enquanto, o caso permanece em fase de apuração. O principal ponto a ser esclarecido é se os contatos e relações financeiras identificados pela PF representam apenas relações privadas e profissionais ou se houve alguma forma de influência indevida sobre decisões ou investigações relacionadas ao Banco Master.

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