WhatsApp

Caos nas urnas, atrasos e disputa judicial marcam primeira eleição direta da UFBA; veja o que dizem as chapas

Data:
Atualizado em: 22 de Maio de 2026
Da redação

Falhas na entrega de urnas, decisão da Justiça Federal e críticas ao modelo de votação marcaram o primeiro dia da consulta para a reitoria da universidade

O primeiro dia da eleição para a reitoria da Universidade Federal da Bahia, nesta terça-feira (20), foi marcado por atrasos na votação, críticas à organização do processo eleitoral e divergências entre chapas que disputam a gestão da universidade.

Problemas na entrega de urnas em diferentes unidades da UFBA provocaram atraso no início da votação em parte dos locais previstos para funcionar a partir das 8h. Em alguns casos, segundo candidatos, as seções só começaram a operar por volta das 11h.

O professor Fernando Conceição, candidato da Chapa 03 “UFBA Insurgente”, afirmou que as falhas logísticas impactaram o andamento da votação no primeiro dia.

“A eleição já está maculada por conta da irresponsabilidade da comissão eleitoral”, declarou.

Ele também criticou a condução do processo e afirmou que a comissão eleitoral exerce influência indevida na disputa. “Existem três chapas: a 1, a 2 e a comissão eleitoral”, disse.

A professora Salete Maria, candidata da Chapa 04 “Nossa UFBA”, também questionou a atuação da comissão eleitoral e afirmou que há percepção de favorecimento a grupos historicamente mais estruturados dentro da universidade.

“Nós temos uma comissão eleitoral totalmente à vontade para favorecer o continuísmo”, declarou. Segundo ela, parte dos integrantes da comissão teria ligação com chapas tradicionais da disputa.

Voto em papel vira alvo de disputa política


O candidato Penildon Silva Filho, da Chapa 01 “Mais UFBA”, atribuiu parte dos problemas ao modelo de votação em papel. Segundo ele, a decisão foi aprovada no Conselho Universitário com apoio de setores ligados à atual gestão da universidade e à Chapa 02.

“A UFBA é a única universidade federal que resta sem utilizar sistema eletrônico”, afirmou.

Ele defendeu que o voto digital poderia reduzir falhas logísticas e ampliar a participação de estudantes da educação a distância e de pessoas fora dos campi.

O candidato também citou a decisão da Justiça Federal que determinou a retirada de uma nota institucional publicada pela UFBA. A liminar foi concedida pela 13ª Vara Cível da Justiça Federal na Bahia, em ação movida por ele contra o reitor Paulo César Miguez de Oliveira e a universidade.

Na decisão, o juiz apontou indícios de desvio de finalidade e entendeu, em análise preliminar, que o conteúdo poderia interferir no processo eleitoral interno.
 

Disputa segue com versões divergentes sobre o processo

Em resposta, João Carlos Salles, candidato da Chapa 02 “Somos UFBA”, afirmou que os problemas registrados não comprometem a legitimidade da votação.

“Problemas ocorrem, mas nada que comprometa a lisura e que deva impedir a ampla participação da comunidade”, disse.

A eleição é considerada histórica por ser a primeira consulta direta para a reitoria da UFBA, após o fim do modelo de lista tríplice nas universidades federais. O processo segue com disputas entre chapas e diferentes avaliações sobre a condução da votação.

Tenha notícias
no seu e-mail