A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado apresentou relatório final com pedidos de indiciamento contra os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O documento aponta supostas condutas incompatíveis com o exercício das funções públicas, incluindo alegações de suspeição em julgamentos, possíveis conflitos de interesse e decisões que teriam impactado investigações em curso. No caso do chefe do Ministério Público, o relatório menciona suposta omissão diante de indícios considerados relevantes.
Entre os temas citados está o chamado caso Banco Master, que, segundo o texto, reúne indícios de irregularidades financeiras e possíveis conexões com esquemas de lavagem de dinheiro. O relatório sugere o aprofundamento das apurações em investigação própria.
Com mais de 200 páginas, o documento consolida quatro meses de trabalho da CPI, que realizou 18 reuniões, apresentou 312 requerimentos e analisou 134 documentos ao longo das investigações sobre a atuação de organizações criminosas no país.
O relatório também registra interferências judiciais durante os trabalhos, incluindo decisões que suspenderam medidas aprovadas pela comissão, transformaram convocações em convites e limitaram o acesso a dados financeiros.
Além dos pedidos de indiciamento, o texto propõe mudanças legislativas, como o endurecimento das penas para crimes de lavagem de dinheiro, ampliação de mecanismos de bloqueio de bens e maior transparência em operações financeiras.
O material será encaminhado aos órgãos competentes, que irão avaliar a abertura de investigações e eventuais medidas judiciais.