A CPMI do INSS deu um passo decisivo no avanço das investigações ao convocar o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para prestar depoimento na próxima quinta-feira (5). O anúncio foi feito pelo presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que tratou a convocação como parte de uma estratégia para evitar manobras jurídicas que possam travar os trabalhos do colegiado.
Em publicação nas redes sociais, Viana confirmou que, além de Vorcaro, também foi convocado Luiz Félix Cardamone Neto. Segundo o senador, a CPMI seguirá adotando “todas as medidas legais cabíveis” para garantir que os investigados compareçam e prestem esclarecimentos públicos. A mensagem foi interpretada nos bastidores como um recado direto a tentativas de blindagem judicial.
O presidente da comissão informou ainda que o colegiado atua para derrubar o habeas corpus concedido ao empresário Maurício Camisotti, que o dispensa de comparecer à CPMI. A avaliação entre parlamentares é de que decisões desse tipo comprometem o alcance das investigações e fragilizam o papel fiscalizador do Congresso.
Na última reunião do ano passado, a CPMI aprovou a convocação de Vorcaro e autorizou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. À época, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que o depoimento será fundamental para esclarecer operações envolvendo crédito consignado a aposentados e pensionistas, um dos focos centrais da apuração.
Vorcaro já foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades financeiras ligadas ao Banco Master. Ele chegou a ser preso, mas teve a prisão preventiva revogada dias depois, passando a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
O caso do Banco Master extrapolou o âmbito da CPMI e se tornou um dos principais escândalos financeiros do país. Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição, após suspeitas de fraude na negociação de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito com o Banco de Brasília (BRB). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o episódio como potencialmente a maior fraude bancária da história recente.
A CPMI do INSS apura um esquema de desvios em benefícios previdenciários. De acordo com investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), o rombo pode chegar a R$ 6,3 bilhões, ampliando a pressão política sobre os envolvidos e sobre o sistema financeiro.