Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7) a apreensão do petroleiro Marinera, antigo Bella 1, embarcação ligada à Venezuela e que atualmente navega sob bandeira russa. A interceptação foi revelada pela agência Reuters e confirmada posteriormente pelo Exército norte-americano.
Segundo autoridades dos EUA, tropas embarcaram no navio no Atlântico Norte, após a emissão de um mandado por um tribunal federal americano. O Marinera vinha sendo monitorado desde o fim de dezembro e, nos últimos dias, teria recebido escolta de embarcações militares russas, incluindo um submarino, o que elevou o grau de tensão diplomática entre Washington e Moscou.
Em comunicado, o Comando Europeu do Exército dos Estados Unidos informou que a operação envolveu o Departamento de Justiça, o Departamento de Segurança Interna e a Guarda Costeira. De acordo com o governo americano, o navio violou sanções impostas aos setores estratégicos da Venezuela e navegava sob bandeira falsa, o que, segundo a Casa Branca, autoriza a abordagem sem ferir o direito internacional.
A Rússia repudiou a ação, classificando a apreensão como ilegal e afirmando que os Estados Unidos não tinham jurisdição para usar a força. Moscou também pediu que os tripulantes recebam tratamento “humano e digno”. Já o governo americano sustenta que a operação foi conduzida dentro das normas internacionais, justamente por se tratar de uma embarcação supostamente envolvida em esquemas de evasão de sanções.
O Reino Unido confirmou apoio logístico à operação, após solicitação dos EUA. As Forças Armadas britânicas forneceram suporte operacional, incluindo o uso de bases militares, uma embarcação de apoio e vigilância aérea. Segundo o secretário de Defesa britânico, John Healey, o petroleiro possui um “histórico nefasto” e estaria ligado a redes russas e iranianas voltadas à evasão de sanções internacionais.
Dados de rastreamento marítimo analisados pela Associated Press indicam que o reservatório de petróleo do Marinera estava vazio no momento da apreensão. Ainda assim, autoridades americanas afirmam que a embarcação integra a chamada “frota fantasma” venezuelana, utilizada para transportar petróleo a aliados do regime chavista, como Rússia, China e Irã.
No mesmo dia, os Estados Unidos também anunciaram a apreensão de outro petroleiro ligado à Venezuela, o Sophia, interceptado no Mar do Caribe. Trata-se da quarta apreensão de navios venezuelanos nas últimas semanas, dentro da política de bloqueio total ao petróleo do país, anunciada pelo governo americano em dezembro.
A movimentação reforça a estratégia de pressão dos EUA sobre Caracas e ocorre em um momento de crescentes tensões geopolíticas, especialmente após a presença ostensiva da Marinha russa em operações envolvendo embarcações sancionadas.