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EUA retiram acusação de que Maduro liderava o Cartel de los Soles

Data:
Antonio Dilson Neto

Departamento de Justiça manteve acusação por tráfico de drogas, mas passa a tratar esquema como sistema de clientelismo e corrupção

EUA retiram acusação de que Maduro liderava o Cartel de los Soles
Reprodução/XNY/Star Max/GC Images

O governo dos Estados Unidos recuou da acusação de que Nicolás Maduro chefiava um cartel de drogas conhecido como Cartel de los Soles. A mudança ocorreu após a captura do ditador venezuelano por militares norte-americanos, em Caracas, no último fim de semana.

A informação foi revelada pelo jornal The New York Times. Depois da prisão de Maduro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos atualizou formalmente as acusações. O líder venezuelano segue respondendo por conspiração para tráfico de drogas, mas a alegação de que o Cartel de los Soles funcionava como uma organização criminosa estruturada foi abandonada.

Em vez disso, os promotores passaram a descrever a atuação do regime como um “sistema de clientelismo” sustentado por uma ampla “cultura de corrupção” alimentada por recursos do narcotráfico.

Na versão anterior da acusação, apresentada originalmente em 2020, Maduro era citado de forma explícita como líder do Cartel de los Soles. O documento afirmava que ele e outros integrantes do alto escalão do governo venezuelano corromperam instituições do Estado para facilitar a entrada de toneladas de cocaína nos Estados Unidos.

Segundo essa denúncia inicial, o esquema envolvia setores das Forças Armadas, do aparato de inteligência, além de integrantes do Legislativo e do Judiciário da Venezuela.

“Desde pelo menos 1999, Maduro Moros, Diosdado Cabello Rondón, Hugo Carvajal Barrios e Clíver Alcalá Cordones atuavam como líderes e gestores do Cartel de los Soles”, afirmava a acusação anterior. O texto acrescentava que o grupo buscava não apenas enriquecer seus membros, mas também ampliar seu poder político e “inundar os Estados Unidos com cocaína”.

Já no documento atualizado, divulgado no dia 3 de dezembro, o Departamento de Justiça afirma que Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, participaram, perpetuaram e protegeram uma cultura de corrupção na qual elites venezuelanas se beneficiam diretamente do narcotráfico e da proteção a seus parceiros criminosos.

De acordo com a nova redação, os lucros das atividades ilegais circulam entre funcionários corruptos de baixa patente, civis, militares e integrantes da inteligência, inseridos em um sistema de clientelismo comandado pelas cúpulas do poder. Esse arranjo, segundo os promotores, passou a ser chamado informalmente de Cartel de los Soles, em referência às insígnias solares usadas por oficiais militares de alta patente na Venezuela.

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