O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do Intercept Brasil, a produção recebeu pelo menos R$ 65 milhões do banqueiro, que manteve os pagamentos até ser preso, em novembro de 2025.
Documentos e mensagens obtidos pelo veículo apontam uma relação entre os dois, apesar de Flávio ter negado vínculos com Vorcaro e com o banco. Em uma das mensagens, o senador escreveu ao empresário: “Irmão, estou e estarei contigo sempre”, demonstrando proximidade em meio às 'dificuldades' enfrentadas pelo ex-banqueiro ao longo das investigações do caso Master.
Em um áudio enviado a Vorcaro, Flávio relata a pressão financeira da produção e pede uma posição sobre os pagamentos pendentes. “Eu fico sem graça de ficar te cobrando”, afirma, antes de explicar que o filme estava em um momento decisivo e que a equipe acumulava contas a pagar. “Estamos no momento muito decisivo aqui do filme, e como tem muita parcela para trás, tá todo mundo tenso”, disse.
O senador também demonstra preocupação com possíveis consequências do atraso nos pagamentos a integrantes da produção, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, no Cyrus, os caras renomadíssimos lá no cinema americano, mundial, pô, ia ser muito ruim, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo”, diz no áudio.
Ao final do áudio, Flávio volta a pedir uma posição de Vorcaro sobre os pagamentos. “A gente precisa saber o que faz com a era da vida, porque já tem muita conta para pagar esse mês, e o mês seguinte também”, afirma. Segundo o Intercept, as mensagens e a gravação contradizem as negativas anteriores do senador sobre sua relação com o banqueiro e revelam cobranças diretas durante o financiamento de Dark Horse.
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