O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a forma como Luiz Fux conduziu o julgamento que confirmou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em ofício enviado a Fux, presidente da Segunda Turma, Gilmar criticou a rapidez da sessão e a falta de comunicação prévia a parte dos integrantes do colegiado.
Segundo Gilmar, a decisão de André Mendonça, relator do caso, foi incluída na pauta da Segunda Turma às 9h29, enquanto seu gabinete só foi informado sobre a convocação da sessão extraordinária às 9h38. O julgamento começou às 10h, apenas 22 minutos após a comunicação oficial.
O ministro pediu vista logo no início da sessão. Mesmo assim, Fux apresentou seu voto quatro minutos depois, às 10h04, seguido por Nunes Marques, às 10h06. Ambos acompanharam Mendonça, formando maioria para manter o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
Na avaliação de Gilmar, a sequência dos acontecimentos indica que houve um "prévio ajuste" entre Fux e Mendonça que não teria sido comunicado a todos os ministros da Segunda Turma. Ele também defendeu que os integrantes do colegiado sejam tratados de forma igualitária e criticou o uso de procedimentos que, segundo ele, reduziram o tempo para análise de uma decisão de grande impacto institucional.