O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sugeriu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que delegados da Polícia Federal (PF) deixem de atuar nos gabinetes dos ministros. A proposta ocorre em meio à crise envolvendo André Mendonça, a direção da PF e o ministro Alexandre de Moraes.
Atualmente, cinco delegados da PF estão cedidos ao Supremo. Dois trabalham diretamente com Mendonça em investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. Outros atuam nos gabinetes de Moraes e Luiz Fux, além de um delegado responsável pela área de segurança.
Segundo relatos publicados pela Folha de S.Paulo, Gilmar avalia que a proximidade dos policiais com os ministros pode influenciar a condução de investigações e gerar interesses dentro da própria corporação. O tema deve voltar a ser discutido entre Gilmar e Fachin nesta quinta-feira (3).
A discussão ganhou força após Mendonça determinar a elaboração de um relatório da PF que revelou mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito do caso Master. A divulgação dos diálogos aprofundou a crise dentro do STF.
Nos bastidores, ministros que apoiam Moraes questionam a forma como Mendonça conduziu o caso e avaliam que houve desrespeito aos ritos internos da Corte. O entorno do relator, por outro lado, afirma que ele atua com independência e que a determinação à PF teve como objetivo apenas identificar o interlocutor de Vorcaro.
Fachin tem realizado conversas individuais com os ministros para tentar conter a crise, considerada inédita dentro do tribunal. O STF deverá analisar se haverá abertura de investigação envolvendo um de seus próprios integrantes.