O governo da Argentina informou que não pretende parabenizar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória nas eleições presidenciais brasileiras. A posição foi apresentada nesta segunda-feira (27) pelo porta-voz presidencial, Adrián Ravier, segundo o jornal argentino Clarín.
Durante uma coletiva de imprensa, Ravier afirmou que o governo tomou conhecimento do resultado, mas não divulgará um comunicado oficial. “Por enquanto, não há nenhum comunicado que pretendamos divulgar”, declarou. Para justificar a decisão, o porta-voz alegou que Lula não cumprimentou pessoalmente Javier Milei quando o argentino foi eleito, em 2023.
Na ocasião, porém, o presidente brasileiro publicou uma mensagem nas redes sociais desejando êxito à nova gestão. “Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu Lula em novembro daquele ano.
Milei foi o único líder sul-americano que não parabenizou Lula pela reeleição. Outros presidentes da região, inclusive representantes da direita, reconheceram o resultado e manifestaram disposição para manter a cooperação com o Brasil.
O silêncio do argentino ocorre após ele apoiar publicamente Flávio Bolsonaro (PL) durante a campanha e fazer críticas a Lula. Em agosto, durante um evento do PL em São Paulo, Milei chamou o presidente brasileiro de “presidiário” e também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar das divergências políticas, Brasil e Argentina mantêm fortes relações comerciais e integram o Mercosul. Em 2025, o Brasil foi o principal destino das exportações argentinas, com mais de US$ 12,8 bilhões em vendas, e também a maior origem das importações do país, com US$ 18,4 bilhões em produtos, segundo dados do governo argentino.
*Sob supervisão de Antonio Dilson Neto