O ator Juliano Cazarré provocou forte repercussão nas redes sociais após declarar, durante um debate na GloboNews sobre masculinidade e o papel do homem contemporâneo, que “mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres”. A fala aconteceu enquanto os participantes discutiam violência de gênero e feminicídio no Brasil.
Ao comentar os índices de violência no país, Cazarré afirmou que “o Brasil é um país violento contra homens, contra mulheres, contra crianças e contra idosos” e tentou comparar homicídios gerais com casos de feminicídio. “Tem 2,5 mil homens assassinados por mulheres, no período em que nós tivemos 1,5 mil mulheres assassinadas por homens”, argumentou o ator durante o programa.
A fala foi imediatamente contestada pelo consultor em equidade racial e de gênero Ismael dos Anjos, que explicou que feminicídio é uma categoria criminal específica, aplicada quando mulheres são assassinadas em razão do gênero, geralmente em contextos de violência doméstica, posse ou controle. “Ela é morta porque não aceitou uma separação, porque esse marido quer um controle sobre o corpo dela”, respondeu.
Durante a discussão, Cazarré também questionou se crimes passionais seriam enquadrados como feminicídio. A psicanalista Vera Iaconelli rebateu a expressão e afirmou que o termo vem sendo abandonado. “Crime passional não é uma coisa que a gente usa mais, porque se é paixão não deveria ser crime”, disse.
A declaração do ator gerou críticas nas redes sociais e levantou debates sobre desinformação envolvendo estatísticas de violência de gênero. Especialistas apontaram que a comparação feita por Cazarré mistura homicídios gerais, em que homens são maioria das vítimas, com feminicídios, que possuem motivação específica relacionada ao gênero da vítima.