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Leia a nota do governo brasileiro sobre o tarifaço dos EUA

Data:
Atualizado em: 02 de Junho de 2026
Da redação

Nota oficial aponta preocupação e diz que país seguirá em diálogo

Leia a nota do governo brasileiro sobre o tarifaço dos EUA
Reprodução/GOV-BA

O governo brasileiro divulgou, nesta terça-feira (2), uma nota oficial em resposta à proposta dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos do Brasil. A medida norte-americana, que ainda está em fase de análise, prevê a aplicação de sobretaxas sobre exportações brasileiras em diferentes setores.

No comunicado, o governo afirma que recebeu a proposta com preocupação e reforça que considera a iniciativa inadequada e injustificada diante das relações comerciais entre os dois países. O texto também destaca que o Brasil seguirá defendendo o diálogo e a solução de controvérsias dentro das regras do comércio internacional.

A nota ainda aponta que o país já apresentou esclarecimentos e respostas ao longo das negociações com autoridades norte-americanas, e que permanece disposto a manter tratativas diplomáticas para evitar impactos econômicos.

Por fim, o governo brasileiro sinaliza que pode recorrer a instâncias internacionais caso as medidas sejam confirmadas, incluindo mecanismos da Organização Mundial do Comércio (OMC), e afirma que avalia possíveis efeitos sobre setores exportadores.

Leia nota oficial do governo brasileiro na íntegra

 

"O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.

Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.

É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.

Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares.

Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.

Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação.

Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.

O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. 

No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.

Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil.

O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.

O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.

O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.

É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.


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