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Macron diz que França não apoiará acordo entre UE e Mercosul

Data:
Antonio Dilson Neto

França tenta formar bloco para impedir avanço do acordo

Macron diz que França não apoiará acordo entre UE e Mercosul
AP/REX/Shutterstock

O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (18), em Bruxelas, que o país não apoiará o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul sem novas garantias para os agricultores franceses.

“Consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou Macron à imprensa antes da cúpula do Conselho Europeu. Segundo ele, a França também se oporá a qualquer tentativa de acelerar ou impor a aprovação do pacto.

O acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas comerciais entre os dois blocos. Caso seja aprovado pelo Conselho Europeu, a assinatura do texto final está prevista para sábado (20), em Foz do Iguaçu, durante a cúpula de chefes de Estado do Mercosul.

Na França, o acordo é amplamente visto pelo setor agrícola como uma ameaça, sobretudo pela concorrência com produtos latino-americanos considerados mais baratos e submetidos a regras ambientais menos rígidas. Embora a Comissão Europeia tenha oferecido salvaguardas para setores sensíveis, produtores avaliam que as medidas são insuficientes.

Na terça-feira (16), o Parlamento Europeu aprovou mecanismos de proteção para produtos como carne bovina, aves e açúcar, permitindo a aplicação de tarifas caso haja desequilíbrio no mercado. Mesmo assim, Paris defende o adiamento da assinatura do acordo.

Decisão nas mãos do Conselho

Com o aval do Parlamento, o processo segue agora para o Conselho Europeu, que precisa autorizar formalmente a ratificação. Diferentemente do Legislativo, a decisão exige maioria qualificada, com apoio de ao menos 15 dos 27 países do bloco, representando 65% da população da União Europeia.

A França aposta no alinhamento de países como Itália, Polônia e Hungria para formar um bloco capaz de barrar o acordo. O posicionamento italiano, no entanto, segue indefinido e pode ser decisivo para o futuro do pacto negociado há mais de duas décadas.

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