Documentos enviados pela Prefeitura de Salvador ao Supremo Tribunal Federal (STF) indicam que a gestão municipal autorizou intervalos maiores entre viagens de ônibus no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). O caso será investigado pela Polícia Federal, após determinação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), diante de suspeitas de prejuízo ao deslocamento de eleitores.
Embora a prefeitura tenha informado ao STF que manteve a programação do primeiro turno, com 2,9 mil viagens, o planejamento apresentado previa intervalos superiores aos praticados em dias úteis em algumas linhas. Na linha 1328, entre Pirajá e Mussurunga, o intervalo previsto passou de 25 a 30 minutos para 40 a 50 minutos. Já na linha 1246, entre Pirajá e Patamares, a espera prevista era de 70 minutos, contra 22 minutos em dias úteis. Na linha 141, entre a Lapa e o Hospital Geral do Estado, o intervalo chegava a 55 minutos, ante 22 minutos habitualmente.
No domingo da votação, uma fiscalização do Procon-BA identificou 944 ônibus parados em sete garagens. O prefeito Bruno Reis afirmou que parte dos veículos fazia parte da frota reserva e atribuiu os atrasos da manhã à colocação de adesivos eleitorais nos ônibus, que precisaram ser retirados. Segundo a prefeitura, a circulação foi normalizada às 10h30.
Em resposta à Justiça Eleitoral, a gestão municipal argumentou que a presença de ônibus nas garagens faz parte da operação habitual do sistema. Também alegou que a convocação de 100% da frota, determinada durante a tarde, exigiu chamar motoristas que estavam de descanso, o que teria atrasado a retomada do serviço.
O TRE-BA determinou a investigação de possíveis crimes eleitorais e solicitou a preservação de documentos sobre a operação. A prefeitura sustenta que adotou uma programação semelhante à do primeiro turno, enquanto as circunstâncias da redução do serviço e as eventuais responsabilidades seguem sob apuração.