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ONU alerta para risco de colapso financeiro por falta de recursos

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Da redação

Segundo Guterres, caso não haja novas contribuições, os recursos da ONU podem se esgotar já em julho

ONU alerta para risco de colapso financeiro por falta de recursos
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Sem recursos dos Estados Unidos e com dezenas de países inadimplentes em suas contribuições obrigatórias, a Organização das Nações Unidas (ONU) enfrenta a pior crise financeira de sua história. Em mensagem enviada nesta sexta-feira (30) aos 193 Estados-membros, o secretário-geral António Guterres alertou para o risco de um “iminente colapso financeiro” da instituição.

Segundo Guterres, caso não haja novas contribuições, os recursos da ONU podem se esgotar já em julho. Embora crises de liquidez não sejam inéditas, o cenário atual é considerado mais grave. Nos últimos anos, medidas como corte de energia elétrica e de aquecimento em prédios da entidade, em Genebra, já haviam sido adotadas para reduzir despesas.

A situação se agravou após a retirada dos Estados Unidos de mais de 30 agências da ONU e a suspensão de contribuições ao orçamento regular da organização. Washington também bloqueou cerca de 70% dos repasses destinados às operações de paz. Em dezembro, o governo de Donald Trump prometeu US$ 2 bilhões para agências humanitárias, valor muito inferior aos US$ 17 bilhões destinados em 2022, condicionando o envio dos recursos ao cumprimento de critérios estabelecidos pela Casa Branca.

Enquanto isso, os impactos já atingem populações vulneráveis. No Afeganistão, a agência da ONU para Mulheres fechou serviços em um país com uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo. Em campos de refugiados, a organização foi obrigada a reduzir pela metade a distribuição de alimentos.

Paralelamente, Trump anunciou a criação de um Conselho da Paz, iniciativa que rivalizaria com a ONU e exigiria o aporte de US$ 1 bilhão para garantir uma cadeira permanente.

Guterres fez um apelo para que a comunidade internacional se mobilize, mas o cenário é desafiador. Países europeus vêm reduzindo seus orçamentos para ajuda humanitária e ampliando gastos militares. Segundo o secretário-geral, apenas 77% das contribuições devidas foram pagas em 2025, deixando um volume recorde em aberto.

“Não posso enfatizar o suficiente a urgência da situação”, escreveu Guterres. Ele afirmou que, sem o pagamento integral e pontual das contribuições ou uma reformulação das regras financeiras, a ONU corre o risco de colapso financeiro iminente.

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