O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que a legenda, que abriga a bancada do ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar o fim da escala 6x1. A nova diretriz foi fechada após uma reunião interna de bancada.
Em uma mudança completa de postura em relação às discussões anteriores da pauta, Sóstenes informou que o partido apresentará um destaque de preferência no plenário para fazer avançar a escala 4x3, defendendo publicamente o modelo de "quatro dias de trabalho e três de descanso ao lado da família". A intenção deliberada do grupo é focar na proposta original de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que é mais restrita que o relatório em debate.
“Agora queremos ver: quem diz defender o trabalhador terá a oportunidade de provar no voto”, disparou o líder do PL em sua página oficial na plataforma X, direcionando a provocação à base aliada do governo federal.
A jogada do PL mexe diretamente com as articulações do Palácio do Planalto. O texto que vinha sendo desenhado pelo relator da comissão especial, o deputado federal baiano Leo Prates (Republicanos), costurou um meio-termo considerado mais seguro e viável pela equipe econômica governista. O relatório de Prates estabelece a redução da carga horária atual de 44 horas semanais para 42 horas em até 60 dias após a promulgação, alcançando o teto de 40 horas semanais (escala 5x2) em um prazo de 12 meses.
Ao exigir a votação do texto da deputada do PSOL, que institui o limite de 36 horas semanais em quatro dias de serviço, o PL tenta inverter os papéis tradicionais de votação. A estratégia visa colocar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva em uma posição desconfortável. Como os ministros do Planalto vinham defendendo cautela para evitar impactos bruscos na produtividade e na inflação, os deputados governistas seriam forçados a votar contra uma proposta teoricamente mais vantajosa para os trabalhadores, gerando um desgaste de imagem pública.
A articulação da oposição gerou preocupação imediata entre os articuladores políticos do governo. A avaliação interna é de que o movimento do PL tem o potencial de inflamar os debates em plenário, provocar divisões e, consequentemente, atrasar a tramitação da PEC. A própria autora do projeto, Erika Hilton, chegou a reconhecer publicamente que o modelo de transição proposto no relatório de Leo Prates era o "caminho possível" para viabilizar a aprovação do fim do modelo 6x1.
A votação da proposta na comissão especial da Câmara acabou sendo adiada justamente por um movimento da bancada oposicionista. O deputado Maurício Marcon (PL-RS) apresentou um pedido de vista, alegando a necessidade de mais tempo para analisar o texto técnico sob o argumento de que a redação atual poderia proibir de forma jurídica os cidadãos que desejassem trabalhar voluntariamente além das 8 horas regulamentares diárias. Com o adiamento, o relatório deve voltar à pauta para deliberação imediata, sob forte clima de disputa política.