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Rui Costa deixará a Casa Civil para disputar o Senado

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Antonio Dilson Neto

Para o lugar de Rui, o Planalto anunciou Miriam Belchior, quadro histórico da área de planejamento e figura de confiança do núcleo duro do governo

Rui Costa deixará a Casa Civil para disputar o Senado
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A saída de Rui Costa da chefia da Casa Civil está oficialmente sacramentada. O ministro confirmou que deixará o cargo a partir de março para disputar uma vaga no Senado pela Bahia nas eleições de outubro, abrindo espaço para uma das trocas mais relevantes do primeiro escalão do governo Lula em ano eleitoral.

Para o lugar de Rui, o Planalto anunciou Miriam Belchior, quadro histórico da área de planejamento e figura de confiança do núcleo duro do governo. A escolha, segundo o próprio ministro, segue uma orientação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: evitar rupturas na engrenagem administrativa em um momento de transição sensível.

A mudança consolida um movimento que já vinha sendo tratado como certo nos bastidores de Brasília. Rui Costa é um dos nomes com maior peso político no governo e sua saída não é apenas administrativa. Ela marca o início formal da debandada de ministros que pretendem disputar as eleições e antecipa uma reorganização profunda na Esplanada dos Ministérios.

A opção por Miriam Belchior reforça a estratégia de substituições internas, considerada a mais segura pelo Planalto diante do calendário eleitoral. Técnica experiente, com passagem por áreas estratégicas do governo federal, ela assume a Casa Civil com a missão de garantir previsibilidade, continuidade e controle político num período em que o governo perderá peças importantes.

A troca na Casa Civil é parte de um rearranjo mais amplo. Até 31 de março, prazo legal para desincompatibilização, mais da metade do primeiro escalão deverá deixar seus cargos. Outras mudanças já estão no radar. Na Fazenda, o nome mais citado para substituir Fernando Haddad é o do atual secretário-executivo Dario Durigan. Já nas Relações Institucionais, a expectativa é de que Gleisi Hoffmann seja substituída por Olavo Noleto, hoje à frente do Conselhão.

Em anos eleitorais, o Planalto enfrenta um dilema clássico: manter figuras políticas fortes ou garantir estabilidade administrativa. A resposta de Lula tem sido clara. Apostar em quadros técnicos já testados, capazes de sustentar a máquina pública enquanto o xadrez eleitoral se reorganiza.

Para Rui Costa, a saída da Casa Civil representa mais um movimento calculado de sua trajetória. Ex-governador da Bahia por dois mandatos, ele abriu mão da disputa ao Senado em 2022 para articular alianças locais e garantir a sucessão estadual. 

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