A Universidade Federal da Bahia (UFBA) afirmou nesta terça-feira (29) que não teve relação com o ato de campanha que contou com a participação de Renan Santos e integrantes do Partido Missão, realizado no domingo (27), em frente à Reitoria.
Segundo a universidade, a manifestação ocorreu em via pública, nas proximidades do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA).
A UFBA também repudiou uma fala do presidente do Partido Missão na Bahia, David Pirajá, durante o ato. De acordo com a instituição, ele defendeu chacinas em bairros populares de Salvador.
Em nota, a universidade afirmou que não compactua com discursos de violência e pediu que as autoridades tomem as providências cabíveis diante de possíveis práticas abusivas durante o período eleitoral.

Leia a nota na íntegra
A Universidade Federal da Bahia é uma aposta da nossa sociedade no conhecimento e não na ignorância, no refinamento intelectual e não na rudeza. É, portanto, lugar de formação qualificada, de ampliação de direitos e de valorização da vida. Associar o nome da UFBA a apologias da violência e a qualquer incitação ao crime é uma ofensa tanto à nossa Universidade quanto a todos os que comungam valores democráticos.
Assim, em razão de afirmações equivocadas publicadas em diversos ambientes midiáticos, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) tem o dever de esclarecer que o ato de campanha realizado neste domingo, 27 de setembro, com a participação de Renan Santos e integrantes do Partido Missão, não possui qualquer relação com a Universidade. A manifestação foi realizada em via pública, em frente à Reitoria, nas proximidades do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES/UFBA).
Durante o ato, foi feita pelo presidente do partido Missão na Bahia, David Pirajá, a defesa de chacinas em bairros populares de Salvador. Sua fala incita à violência e naturaliza a desumanização de comunidades.
Realizado em frente a uma universidade, esse gesto político traz à memória o de fascistas que, outrora, em Salamanca, conclamavam à morte da inteligência. Entretanto, na Bahia, com o apelo direto a um “banho de sangue”, tal gesto ganha contornos ainda mais graves, pois se associa a práticas abjetas que têm vitimado o povo negro e pobre de Salvador.
O debate democrático, o respeito à dignidade humana e a defesa da vida são valores inegociáveis. A reitoria da UFBA repele, assim, qualquer associação do nome de nossa instituição a discursos de ódio, jamais compactuando com a naturalização da violência ou com violações dos direitos humanos.
Enfim, a UFBA conclama as autoridades legais constituídas a tomarem as devidas providências contra práticas abusivas e criminosas neste período eleitoral, lembrando enfim que manifestações políticas, uma vez realizadas nas proximidades de um hospital, precisam respeitar pacientes, familiares e profissionais, zelando pelo ambiente de cuidado e proteção.