No Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste domingo (31), a Prefeitura de Salvador reforçou a oferta gratuita de tratamento para pessoas que desejam abandonar o cigarro por meio do Programa Municipal de Controle do Tabagismo.
Presente em 88 unidades de saúde da capital, o programa oferece acompanhamento clínico e terapêutico pelo SUS e atua há duas décadas no combate à dependência da nicotina. Apenas em 2025, 1.086 pessoas foram acompanhadas.
Segundo a subcoordenadora da Estratégia de Saúde da Família e Ações Estratégicas na Atenção Primária à Saúde, Mônica Campos, o tratamento em grupo tem apresentado melhores resultados. “Os participantes encontram um espaço de cuidado, troca de experiências e fortalecimento, enfrentando esse processo com apoio”, afirmou.
Ela destaca ainda que o tabagismo é reconhecido como uma doença crônica ligada à dependência da nicotina e associada a problemas como câncer, infarto, AVC, hipertensão e doenças pulmonares. “O tratamento e o acompanhamento são 100% gratuitos pelo SUS”, ressaltou.
O aposentado Balbino José Ferreira, de 69 anos, é um dos participantes do programa na Unidade de Saúde da Família (USF) Pituaçu. Fumante desde os 18 anos, ele afirma estar há um mês e 27 dias sem fumar após ingressar no projeto.
“Minha vida mudou, inclusive o paladar. Mudei a alimentação e hábitos que eu tinha quando era viciado em cigarro”, contou. Segundo ele, a idade e a preocupação com a saúde foram decisivas para abandonar o hábito.
A gerente da USF Pituaçu, Marlene dos Santos, afirma que os grupos funcionam como espaços de acolhimento e incentivo. “Muitas pessoas fumaram por anos e encontram no grupo o apoio necessário para parar. Ver a evolução e a alegria desses pacientes é muito gratificante”, disse.
Cada grupo reúne, em média, 20 participantes. Antes de iniciar o tratamento, o paciente passa por entrevista e avaliação clínica baseada em protocolos do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O processo inclui o teste de Fagerström, utilizado para medir o grau de dependência da nicotina e indicar o adesivo adequado, que pode variar entre 7 mg, 14 mg e 21 mg. Em alguns casos, também há prescrição de medicação oral.
Apesar da redução no número de fumantes nos últimos anos, Mônica Campos alertou para o crescimento do uso de cigarros eletrônicos, especialmente entre jovens. Segundo ela, os vapes combinam nicotina concentrada e metais tóxicos, aumentando o risco de inflamações pulmonares, infartos e lesões respiratórias graves.
Dados do INCA apontam que 477 pessoas morrem diariamente no Brasil em decorrência do tabagismo. Os impactos econômicos e para o sistema de saúde chegam a R$ 153,5 bilhões por ano, enquanto mais de 145 mil mortes anuais poderiam ser evitadas.
Para participar do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, basta procurar uma das unidades de saúde participantes.