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Esportes de endurance: entenda como a fisioterapia contribui para o desempenho e a prevenção de lesões

Data:
Da redação

O que essas atividades têm em comum além da necessidade de resistência?

Esportes de endurance: entenda como a fisioterapia contribui para o desempenho e a prevenção de lesões
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Corrida, crossfit, triatlo, ciclismo e Hyrox são alguns dos esportes que estão em alta entre jovens e adultos. Conhecidas por exigir resistência física e esforço prolongado, essas modalidades demandam mais do que força muscular: também exigem preparo físico e mental para manter o desempenho e controlar a fadiga.

Mas o que essas atividades têm em comum além da necessidade de resistência? O acompanhamento profissional. E não estamos falando apenas de personal trainers e educadores físicos. O fisioterapeuta também desempenha um papel importante na prevenção e no tratamento de lesões, além de contribuir para a melhora do desempenho físico.

Quando o corpo é submetido a esforços intensos e repetitivos, como ocorre nos esportes de endurance, podem surgir dores e limitações físicas. O acompanhamento fisioterapêutico ajuda a preparar o corpo para a prática regular dessas atividades e a reduzir o risco de problemas como dores nos joelhos, nas canelas e na região lombar, algumas das queixas mais comuns entre os praticantes.

Existem especializações voltadas para essas demandas, como a fisioterapia esportiva e a ortopédica. Apesar disso, a fisioterapia nem sempre está entre as prioridades de quem pratica esportes regularmente sem buscar o alto rendimento, mesmo sendo uma aliada importante para a manutenção da saúde e a prevenção de lesões.

A importância da fisioterapia na prática esportiva

O graduando em Fisioterapia pela Faculdade Bahiana de Medicina, em Salvador, João Marcos, que já atua na área clínica, destaca a importância desse acompanhamento.

“A Fisioterapia tem um papel importante no esporte, tanto na reabilitação quanto na prevenção de lesões e na melhora do desempenho físico. Quando falamos de esportes de endurance, como a corrida, o acompanhamento fisioterapêutico ajuda a avaliar a função musculoesquelética, identificar limitações e orientar o praticante de acordo com suas necessidades e objetivos”, explica.

Segundo João Marcos, sua formação e experiência em estágio clínico reforçaram a importância de avaliar cada paciente de forma individualizada, considerando seu histórico, suas limitações e sua rotina de treinamento.

Mas qual é a importância do acompanhamento fisioterapêutico para quem não é atleta profissional?

Para João Marcos, respeitar a progressão dos treinos, garantir a recuperação adequada e observar os sinais do corpo estão entre as orientações mais importantes. O acompanhamento regular permite monitorar a evolução, identificar alterações e adaptar as condutas quando necessário.

Embora não seja possível evitar todas as lesões, esse cuidado contribui para uma prática esportiva mais segura e sustentável a longo prazo.

Quais são as lesões mais comuns nos esportes de endurance?

O fisioterapeuta Felipe Pinheiro, de 27 anos, formado pela Faculdade Bahiana de Medicina, em Salvador, atua há seis anos nas áreas de ortopedia, osteopatia e fisioterapia esportiva. Ele explica que os esportes de endurance, também conhecidos como modalidades de resistência, exigem esforço físico contínuo e prolongado, envolvendo grandes grupos musculares e os sistemas cardiovascular e respiratório.

Segundo o especialista, o crescimento do movimento wellness, associado à busca por bem-estar físico, mental e social, tem incentivado cada vez mais pessoas a experimentar diferentes modalidades esportivas. A corrida é um dos exemplos desse movimento, com crescimento expressivo no número de praticantes.

Entre as principais queixas estão os problemas cardiovasculares e as lesões musculoesqueléticas relacionadas à sobrecarga. No segundo grupo, destacam-se a síndrome do estresse tibial medial, conhecida como “canelite”, que provoca dor na região da canela, principalmente durante a prática esportiva, e a síndrome da dor patelofemoral, caracterizada por dor na região anterior do joelho.

Também são comuns os problemas relacionados ao trato iliotibial, que podem provocar dores na lateral do quadril e da coxa, especialmente durante atividades repetitivas, como a corrida.

Para Felipe, o acompanhamento profissional, o controle da progressão das cargas e o desenvolvimento de capacidades físicas específicas para cada modalidade são estratégias importantes para reduzir esses riscos. Mobilidade, estabilidade, flexibilidade, força e potência devem ser trabalhadas de acordo com as necessidades do praticante, em conjunto com o acompanhamento nutricional, psicológico e fisioterapêutico.

O que Neymar tem a ver com a fisioterapia esportiva?

Durante o período de convocação para a Copa do Mundo, a expectativa sobre a participação do jogador Neymar mobilizou o mundo esportivo. Um dos momentos que chamou a atenção foi o abraço dado pelo atleta ao seu fisioterapeuta após a convocação, gesto que destacou a importância desse profissional na preparação e na recuperação de atletas de alto rendimento.

A atuação do fisioterapeuta em conjunto com outros profissionais é essencial para a preparação física, a recuperação e a manutenção da saúde do atleta. Esse cuidado, porém, não se restringe a jogadores profissionais: também é importante para quem pratica esportes de endurance sem a pressão de competir em alto nível.

Uma pesquisa publicada na SciELO Brasil sobre a atuação da fisioterapia esportiva identificou uma relação interdisciplinar relevante entre fisioterapeutas, preparadores físicos e médicos de clubes, especialmente nos processos de reabilitação funcional e nas decisões sobre o retorno dos atletas aos treinos e às competições.

Para os praticantes recreativos, a integração entre fisioterapeuta e educador físico também pode contribuir para uma rotina de exercícios mais segura. O acompanhamento nutricional e psicológico complementa esse cuidado, considerando as diferentes necessidades de cada pessoa.

Felipe reforça ainda a importância da avaliação pré-participação esportiva antes de iniciar ou intensificar os treinos. O procedimento ajuda a identificar possíveis riscos cardiovasculares e musculoesqueléticos, permitindo orientar a prática de acordo com as condições e os objetivos de cada indivíduo.

A prática esportiva é uma importante aliada de uma vida mais saudável e pode se tornar uma paixão para quem descobre o prazer de treinar. No entanto, para evoluir com segurança, é fundamental respeitar os limites do corpo, adotar a técnica adequada e contar com o acompanhamento de profissionais qualificados.

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