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Vírus Nipah reacende alerta sanitário no mundo; veja o que se sabe

Data:
Antonio Dilson Neto

Doença tem taxa de mortalidade entre 40% e 75% e não possui vacina

Vírus Nipah reacende alerta sanitário no mundo; veja o que se sabe
Reprodução/Getty

As autoridades de saúde da Índia afirmaram que o risco imediato de disseminação do vírus Nipah, uma das infecções mais letais conhecidas, foi controlado após a confirmação de dois casos no estado de Bengala Ocidental, no nordeste do país. A avaliação foi divulgada pelo Ministério da Saúde indiano na noite de terça-feira (27), embora países vizinhos tenham reagido com medidas preventivas reforçadas.

Sem vacina disponível e sem tratamento específico, o manejo da doença se limita ao controle dos sintomas e das complicações clínicas. O vírus é transmitido aos humanos principalmente por meio de animais, como morcegos e porcos, além do consumo de alimentos contaminados, o que exige vigilância constante em áreas de risco.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a taxa de letalidade do Nipah varia entre 40% e 75%, patamar superior ao observado na pandemia de Covid-19. Por esse motivo, qualquer registro da doença ativa protocolos rigorosos de rastreamento, isolamento e monitoramento epidemiológico.

Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, semelhantes aos de uma infecção gripal, com febre, dor de cabeça, dores musculares, náusea e vômitos. Em quadros mais severos, o vírus pode provocar comprometimento neurológico, incluindo convulsões, encefalite e coma. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, mas pode se estender por até 45 dias, o que amplia o desafio da vigilância.

De acordo com o governo indiano, a rápida identificação dos casos, aliada à ampliação da testagem e às investigações de campo, permitiu interromper cadeias de transmissão. Ao todo, 196 pessoas que tiveram contato com os pacientes foram monitoradas e testaram negativo. As autoridades não divulgaram detalhes clínicos sobre o estado de saúde dos infectados.

Apesar de não haver registros do vírus fora da Índia neste momento, o alerta foi suficiente para acionar protocolos de precaução em diversos países da Ásia. Indonésia e Tailândia reforçaram a triagem em aeroportos, especialmente para passageiros provenientes de Bengala Ocidental, com exigência de declarações de saúde, medição de temperatura e monitoramento visual.

Na Tailândia, scanners térmicos foram instalados no aeroporto internacional de Suvarnabhumi, em Bangcoc, especificamente para voos diretos da região afetada. Myanmar recomendou evitar viagens não essenciais ao nordeste da Índia e orientou viajantes a procurar atendimento médico ao menor sinal de sintomas após o retorno.

Vietnã e China também anunciaram o fortalecimento da vigilância sanitária. As medidas incluem intensificação da inspeção em postos de fronteira, ampliação da capacidade de testagem e treinamento adicional de profissionais de saúde, segundo informações divulgadas por veículos estatais.

O histórico do vírus ajuda a explicar o grau de atenção. O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1998, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e recebeu o nome do vilarejo onde surgiu. Na Índia, os primeiros registros datam de 2001, justamente em Bengala Ocidental. Um surto posterior, em 2018, no estado de Kerala, resultou em 17 mortes.

Especialistas consideram improvável que o vírus provoque uma pandemia global, já que a transmissão entre humanos é limitada e exige contato próximo e prolongado. A ausência de casos assintomáticos também facilita a identificação rápida dos infectados. Ainda assim, a OMS mantém o Nipah na lista de doenças prioritárias para pesquisa, ao lado de Ebola, Zika e Covid-19, devido ao seu potencial destrutivo caso escape do controle sanitário.

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