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Abraccine atualiza lista dos 100 filmes essenciais do cinema brasileiro

Data:
Atualizado em: 13 de Maio de 2026
Maria Eduarda Moura*

Nova lista ampliou a presença de obras dirigidas por mulheres e cineastas negros, refletindo mudanças sociais e o amadurecimento da própria crítica especializada

Abraccine atualiza lista dos 100 filmes essenciais do cinema brasileiro
Reprodução/Abraccine

A Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) celebrou seus 15 anos com a reedição da lista dos 100 filmes mais importantes do cinema nacional. Dez anos após a primeira votação, mais de 180 críticos de todas as regiões do país participaram da nova seleção, que inclui produções lançadas entre 2016 e 2026, como Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.

Segundo a entidade, a atualização vai além da inclusão de novos títulos e busca revisar a forma como a história do cinema brasileiro é observada. A nova lista ampliou a presença de obras dirigidas por mulheres e cineastas negros, refletindo mudanças sociais e o amadurecimento da própria crítica especializada. Para o presidente da Abraccine, Orlando Margarido, a revisão acompanha as transformações culturais da última década.

Uma das novidades desta edição é a ausência de ranking numérico. A vice-presidente Cecilia Barroso afirmou que os 100 filmes selecionados foram colocados no mesmo nível de importância, sem hierarquia. Ao todo, 1.169 títulos receberam votos durante o processo de escolha.

A seleção percorre diferentes momentos da cinematografia brasileira, passando pelo experimental Limite (1931), de Mário Peixoto, pelas chanchadas, pelo Cinema Novo, Cinema Marginal, Retomada e chegando às produções contemporâneas premiadas internacionalmente.

Assim como na primeira edição, a lista servirá de base para um livro que será lançado no fim deste ano pela editora Letramento. A publicação terá organização de Ivonete Pinto, Danilo Fantinel e Paulo Henrique Silva, reunindo ensaios críticos sobre cada um dos filmes escolhidos, além de artigos sobre a história e a estética do cinema nacional.

Entre os destaques da lista estão clássicos como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha, Central do Brasil (1998), de Walter Salles, Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, além de produções recentes como Marte Um (2022), de Gabriel Martins, e Ainda Estou Aqui (2024).

Confira a lista dos 100 filmes brasileiros divulgada pela ABRACCINE:

Limite (1931), Mário Peixoto

Ganga bruta (1933), Humberto Mauro

O ébrio (1946), Gilda de Abreu

Também somos irmãos (1949), José Carlos Burle

Carnaval Atlântida (1952), José Carlos Burle

O cangaceiro (1953), Lima Barreto

Rio, 40 graus (1955), Nelson Pereira dos Santos

Rio, Zona Norte (1957), Nelson Pereira dos Santos

O grande momento (1958), Roberto Santos

O homem do Sputnik (1959), Carlos Manga

Aruanda (1960), Linduarte Noronha

O assalto ao trem pagador (1962), Roberto Farias

O pagador de promessas (1962), Anselmo Duarte

Os cafajestes (1962), Ruy Guerra

Porto das caixas (1962), Paulo Cezar Saraceni

Vidas secas (1963), Nelson Pereira dos Santos

À meia noite levarei sua alma (1964), José Mojica Marins

A velha a fiar (1964), Humberto Mauro

Deus e o diabo na terra do sol (1964), Glauber Rocha

Noite vazia (1964), Walter Hugo Khouri

Os fuzis (1964), Ruy Guerra

A falecida (1965), Leon Hirszman

A hora e vez de Augusto Matraga (1965), Roberto Santos

São Paulo Sociedade Anônima (1965), Luiz Sergio Person

A entrevista (1966), Helena Solberg

O padre e a moça (1966), Joaquim Pedro de Andrade

Todas as mulheres do mundo (1966), Domingos de Oliveira

A margem (1967), Ozualdo Candeias

Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967), José Mojica Marins

O caso dos irmãos Naves (1967), Luiz Sergio Person

O menino e o vento (1967), Carlos Hugo Christensen

Terra em transe (1967), Glauber Rocha

O bandido da luz vermelha (1968), Rogério Sganzerla

A mulher de todos (1969), Rogério Sganzerla

Macunaíma (1969), Joaquim Pedro de Andrade

Matou a família e foi ao cinema (1969), Julio Bressane

O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), Glauber Rocha

O despertar da besta (Ritual dos sádicos) (1970), José Mojica Marins

Sem essa, Aranha (1970), Rogério Sganzerla

Um é pouco, dois é bom (1970), Odilon Lopez

Bang bang (1971), Andrea Tonacci

S. Bernardo (1972), Leon Hirszman

Toda nudez será castigada (1972), Arnaldo Jabor

Alma no olho (1973), Zózimo Bulbul

Compasso de espera (1973), Antunes Filho

Os homens que eu tive (1973), Tereza Trautman

A rainha diaba (1974), Antonio Carlos da Fontoura

Iracema, uma transa amazônica (1975), Jorge Bodanzky e Orlando Senna

Dona Flor e seus dois maridos (1976), Bruno Barreto

Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (1977), Hector Babenco

Mar de rosas (1977), Ana Carolina

A lira do delírio (1978), Walter Lima Jr.

Tudo bem (1978), Arnaldo Jabor

A mulher que inventou o amor (1980), Jean Garrett

Bye bye Brasil (1980), Carlos Diegues

O homem que virou suco (1980), João Batista de Andrade

Pixote, a lei do mais fraco (1980), Hector Babenco

Eles não usam black-tie (1981), Leon Hirszman

Os saltimbancos trapalhões (1981), J.B. Tanko

Das tripas coração (1982), Ana Carolina

Pra frente Brasil (1982), Roberto Farias

Onda Nova (1983), Ícaro Martins e José Antonio Garcia

Amor maldito (1984), Adélia Sampaio

Cabra marcado para morrer (1984), Eduardo Coutinho

Memórias do cárcere (1984), Nelson Pereira dos Santos

A hora da estrela (1985), Suzana Amaral

A marvada carne (1985), André Klotzel

Filme demência (1986), Carlos Reichenbach

Ilha das Flores (1989), Jorge Furtado

Que bom te ver viva (1989), Lúcia Murat

Superoutro (1989), Edgard Navarro

Alma corsária (1993), Carlos Reichenbach

Carlota Joaquina, princesa do Brazil (1995), Carla Camurati

Terra estrangeira (1995), Daniela Thomas e Walter Salles

Baile perfumado (1996), Lírio Ferreira e Paulo Caldas

Central do Brasil (1998), Walter Salles

O auto da compadecida (2000), Guel Arraes

Bicho de sete cabeças (2001), Laís Bodanzky

Lavoura arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho

Cidade de Deus (2002), Fernando Meirelles e Kátia Lund

Edifício Master (2002), Eduardo Coutinho

Madame Satã (2002), Karim Aïnouz

Cinema aspirinas e urubus (2005), Marcelo Gomes

O céu de Suely (2006), Karim Aïnouz

Serras da desordem (2006), Andrea Tonacci

Jogo de cena (2007), Eduardo Coutinho

Saneamento básico, o filme (2007), Jorge Furtado

Santiago (2007), João Moreira Salles

Trabalhar cansa (2011), Juliana Rojas e Marco Dutra

O som ao redor (2012), Kleber Mendonça Filho

O menino e o mundo (2013), Alê Abreu

Branco sai, preto fica (2014), Adirley Queirós

Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert

Aquarius (2016), Kleber Mendonça Filho

Arábia (2017), Affonso Uchoa, João Dumans

As boas maneiras (2017), Juliana Rojas e Marco Dutra

Marte um (2022), Gabriel Martins

Mato seco em chamas (2022), Adirley Queirós e Joana Pimenta

Ainda estou aqui (2024), Walter Salles

O agente secreto (2025), Kleber Mendonça Filho

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