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Caso Mãe Bernadete: quarto acusado é condenado a 23 anos de prisão

Data:
Maria Eduarda Moura

Sérgio teria incentivado o homicídio após um desentendimento com a religiosa

Caso Mãe Bernadete: quarto acusado é condenado a 23 anos de prisão
Reprodução

Sérgio Ferreira de Jesus foi condenado a 23 anos de prisão, nesta quarta-feira (21), em Salvador, por participação no assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete. 

O julgamento ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, e o réu é o quarto acusado a receber uma sentença pelo crime, cometido em agosto de 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Segundo as investigações, Sérgio teria incentivado o homicídio após um desentendimento com a religiosa, orientado os executores sobre como chegar à residência dela e recebido os celulares roubados da vítima e de familiares. A condenação foi definida após o Tribunal do Júri reconhecer a prática de homicídio qualificado.

Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos, dentro de casa, enquanto estava com três netos. Dois homens entraram no imóvel e dispararam 25 vezes contra a liderança quilombola. As investigações apontaram que o crime estaria relacionado à atuação da religiosa contra as atividades do tráfico de drogas na comunidade.

Além de Sérgio, outros três acusados já receberam sentenças. Arielson da Conceição dos Santos foi condenado a 40 anos, cinco meses e 22 dias de prisão; Marílio dos Santos, apontado como mandante, recebeu pena de 29 anos e nove meses, mas morreu dois dias após o julgamento, durante uma troca de tiros com policiais militares em Catu. Já Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como BZ ou Buzuim, foi condenado a 28 anos de prisão, em outubro de 2026.

Outros dois homens ainda aguardam julgamento. Ydney Carlos dos Santos de Jesus, conhecido como Café, é suspeito de participar do planejamento do assassinato. Carlos Conceição Santiago é acusado de guardar as armas utilizadas no crime, auxiliar Arielson e facilitar sua fuga. Até o momento, não há datas definidas para os julgamentos.

Em outra frente do caso, familiares de Mãe Bernadete acionaram a União e o Governo da Bahia em 2025, alegando falhas na proteção da líder quilombola. A família solicitou R$ 11,8 milhões em indenização por danos morais para os três netos que estavam com a vítima e para a filha dela. Em fevereiro de 2026, a Procuradoria-Geral do Estado informou que os pagamentos haviam sido concluídos por meio de acordo administrativo, sem divulgar os valores por serem confidenciais.

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