"Eu participo da Lavagem do Bonfim há cerca de dez anos. Venho com os amigos, a família, agradecer e caminhar com fé. Mas já vou com minha latinha de cerveja na mão, caminhando até lá". A declaração da servidora pública Gabriela Souza traduz o espírito da Lavagem do Bonfim, uma das mais antigas e tradicionais festas religiosas do Brasil, realizada anualmente, na segunda quinta-feira do ano, em Salvador.
O evento mistura o sagrado e o profano, com milhares de fiéis e turistas que se reúnem para celebrar a fé. A origem da tradição remonta ao século XVIII, quando as escravizadas africanas lavavam as escadarias da Igreja do Bonfim para purificar-se. Hoje, o ritualismo é marcado por rituais afro-brasileiros, como o uso de ervas, velas e música. A devoção é palpável quando os fiéis carregam a imagem do Senhor do Bonfim em procissão.
No entanto, a festa também possui um lado profano. A música e a dança afro-brasileiras, como o samba e o axé, animam o evento. Barracas oferecem comidas típicas baianas, como acarajé e abará. Vendedores ambulantes oferecem artesanato, roupas e acessórios.
Para os participantes, a Lavagem do Bonfim é uma experiência transformadora. "É um momento para agradecer as bençãos do ano", disse a dona de casa Eliene Calmon.