Uma discussão familiar levou um jovem de Santa Catarina a deixar a casa das mães adotivas e assinar documentos que resultaram no rompimento legal da adoção. Três anos depois, ele tenta anular a decisão na Justiça, alegando irregularidades no processo.
Flávio da Silva Maximiano Júnior foi adotado ainda criança pela advogada Lilian Regina Terres Moroso e pela juíza Sonia Moroso Terres, passando a se chamar Flávio Luiz Moroso Terres. Ele cresceu ao lado de um irmão, também adotado pelo casal.
Segundo Flávio, o conflito ocorreu quando ele tinha 18 anos e decidiu manter o relacionamento com a namorada, apesar da oposição das mães. Após deixar a residência, ele afirma ter assinado documentos que o fizeram perder os direitos decorrentes da filiação adotiva, incluindo o sobrenome da família.
De acordo com o relato, no dia seguinte à discussão, uma advogada ligada ao escritório de uma das mães apresentou uma procuração e um pedido para desfazer a adoção. O processo foi homologado pela Justiça em cerca de 45 horas.
Hoje, aos 21 anos, Flávio ingressou com uma ação rescisória para anular a sentença. A defesa sustenta que houve fraude processual e questiona a rapidez da decisão, além da ausência de audiência ou estudo psicossocial.
O advogado do jovem, Rodrigo dos Santos Monteiro, afirma que o objetivo não é recuperar o sobrenome da família adotiva, mas restabelecer os direitos de filiação e o convívio com o irmão. Segundo ele, a situação criou um cenário em que Flávio ficou sem vínculo familiar.
O caso também chamou a atenção do Ministério Público de Santa Catarina, que classificou a situação como uma espécie de "divórcio filial". Em manifestação, o órgão destacou que a legislação brasileira não prevê a extinção da filiação, seja biológica ou adotiva, apenas em razão da ruptura afetiva.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que o caso está sendo analisado nas esferas judicial e administrativa.
Por meio da advogada Sílvia Domingues Santos, Lilian e Sonia contestaram a versão apresentada pelo jovem. A defesa sustenta que a iniciativa de desfazer a adoção partiu de Flávio e que as mães tentaram convencê-lo a desistir da decisão.
Enquanto aguarda o desfecho do processo, Flávio trabalha com manutenção elétrica de embarcações em Itajaí, no litoral catarinense. Ele afirma que busca reconstruir a própria vida e mantém planos para o futuro, incluindo formar uma família.