O mercado de trabalho brasileiro fechou 2025 no melhor desempenho já registrado. A taxa média anual de desocupação caiu para 5,6%, o nível mais baixo desde o início da série histórica, em 2012, consolidando um ciclo de recuperação iniciado após o choque provocado pela pandemia.
O recuo foi significativo tanto na comparação imediata quanto no horizonte mais longo. Em relação a 2024, a queda foi de 1 ponto percentual. Já na comparação com 2019, último ano antes da crise sanitária, a diferença chega a 6,2 pontos percentuais, sinalizando não apenas recuperação, mas avanço estrutural. No trimestre encerrado em dezembro, o desemprego recuou ainda mais e atingiu 5,1%.
O desempenho veio acompanhado de um recorde no nível de ocupação. Em 2025, 59,1% da população em idade de trabalhar estava ocupada, o maior patamar da série. O país alcançou 103 milhões de pessoas trabalhando, número inédito desde 2012 e 15,4% superior ao observado no início da série histórica.
Na outra ponta, o contingente de desocupados encolheu de forma consistente. Ao longo do ano, o número de pessoas sem trabalho caiu para 6,2 milhões, cerca de 1 milhão a menos do que em 2024. A redução de 14,5% reforça a tendência de absorção da mão de obra que havia ficado à margem do mercado nos anos mais críticos.
Também houve avanço na qualidade do emprego. A taxa de subutilização da força de trabalho recuou para 14,5%, distante do pico registrado em 2019, quando superava 24%. Em números absolutos, a população subutilizada caiu para 16,6 milhões de pessoas, aproximando-se do menor nível da série, observado em 2014.
A melhora aparece ainda nos indicadores mais sensíveis do mercado. O número de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas diminuiu, enquanto a população desalentada caiu para 2,9 milhões, bem abaixo do recorde negativo de 2021. Embora ainda elevado, o contingente indica retração do desalento que marcou o período pós-pandemia.
No recorte do mercado formal, os sinais são claros. O total de empregados do setor privado com carteira assinada atingiu 38,9 milhões, o maior nível já registrado, após crescimento de 2,8% em um ano. Em sentido oposto, o trabalho sem carteira teve leve retração, embora ainda permaneça acima dos níveis observados na década passada.
O trabalho por conta própria continuou em expansão e chegou a 26,1 milhões de pessoas, refletindo tanto empreendedorismo quanto estratégias de sobrevivência econômica. Já o número de trabalhadores domésticos seguiu em queda, movimento que se mantém desde a pandemia.
A taxa de informalidade fechou o ano em 38,1%, ligeiramente abaixo do índice de 2024, indicando uma recomposição gradual do mercado em direção a vínculos mais estáveis.
O avanço do emprego foi acompanhado por ganho real de renda. O rendimento médio habitual chegou a R$ 3.560, alta de 5,7% em relação ao ano anterior. Com isso, a massa de rendimentos somou R$ 361,7 bilhões, o maior valor da série histórica, impulsionada tanto pelo aumento da ocupação quanto pela recuperação do poder de compra.
O conjunto dos dados aponta para um mercado de trabalho mais aquecido, com expansão do emprego formal, redução do desemprego estrutural e melhora gradual nos rendimentos, ainda que desafios importantes persistam na informalidade e na qualidade das ocupações.