O candidato à reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e professor da instituição, Fernando Conceição, afirmou que a universidade vive um cenário de “caos e letargia” e apontou a crise no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) como um dos principais reflexos dos problemas administrativos enfrentados pela instituição. Em entrevista ao Portal do Casé, ele responsabilizou diretamente a atual gestão pelas dificuldades enfrentadas pela comunidade acadêmica.
Segundo Fernando, a implantação do SIGAA ocorreu sem planejamento adequado. “O problema atual do SIGAA não é técnico, é um problema de má gestão”, declarou. Para ele, a migração do antigo sistema foi feita de forma “atabalhoada”, sem testes suficientes e em um intervalo curto de tempo, o que teria causado dificuldades em matrículas, atrasos em formaturas e impactos até em programas de residência médica. O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende reunir especialistas do Instituto de Computação e da Superintendência de Tecnologia da Informação da UFBA para buscar soluções já nos primeiros meses da gestão.
Durante a entrevista, o professor também criticou a influência político-partidária dentro da universidade. “Esses grupos já não escondem mais que a UFBA virou o quintal deles”, afirmou, ao citar a presença de partidos em sindicatos, no Diretório Central dos Estudantes e em setores da administração universitária. Apesar das críticas, ele disse defender a atuação política dentro do ambiente acadêmico, mas argumentou que a universidade não deve se submeter a interesses de grupos de poder.
Entre as propostas apresentadas, Fernando prometeu reduzir em até 50% o valor do restaurante universitário, ampliar bolsas estudantis e investir na modernização tecnológica da UFBA. O professor defendeu a adoção institucional de ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT e NotebookLM, para estudantes, técnicos e docentes. “A inteligência artificial é uma tecnologia sem volta”, afirmou.
Na área da segurança, Fernando comentou denúncias de furtos e assaltos nos campi e disse que pretende investir em iluminação, manutenção de áreas de circulação e diálogo com órgãos de segurança pública. Ele também mencionou a possibilidade de criação de uma guarda universitária própria. “Não estou dizendo que será isso, mas talvez nós tenhamos que criar uma guarda universitária”, declarou.
*Sob a supervisão de Antonio Dilson Neto