A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) convocou para quarta-feira (27) uma reunião com presidentes de federações estaduais para discutir o cenário eleitoral e o posicionamento do agronegócio nas eleições deste ano.
O encontro já estava previsto, mas ganhou relevância após a crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo fontes do setor, a confiança no parlamentar foi abalada, o que dificultaria a recuperação de sua credibilidade entre lideranças do agro.
Nos bastidores, havia expectativa de que denúncias pudessem surgir contra Flávio devido a episódios anteriores, mas ainda assim ele era visto como o principal nome de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que enfrenta forte rejeição no setor.
A reunião da CNA deve discutir alternativas eleitorais e o apoio a candidatos alinhados à pauta do agronegócio. Entre os nomes observados estão Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), embora haja dúvidas sobre a viabilidade política de cada um.
Também é citada a possibilidade de uma chapa entre Tereza Cristina (PP-MS) e Michelle Bolsonaro (PL), considerada improvável por resistências internas. Caso não surja um nome competitivo, parte do setor avalia manter apoio a Flávio Bolsonaro.
Além da disputa presidencial, a CNA pretende traçar estratégias para o Congresso a partir de 2027. Apesar do tamanho da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), lideranças defendem ampliar a fidelidade dos parlamentares à agenda do agro, especialmente diante de divergências sobre pautas como a PEC que prevê o fim da escala 6x1.
A entidade também discutirá o papel das federações e dos mais de 2 mil sindicatos rurais no processo eleitoral. O advogado da CNA, Carlos Bastide, fará uma apresentação sobre os limites legais da atuação dessas organizações nas campanhas.