O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, em um intervalo de 48 horas, a abertura de dois inquéritos contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As investigações, solicitadas pela Polícia Federal (PF), apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção e ocorrem em meio ao embate entre o magistrado e a corporação sobre a condução da Operação Sem Desconto.
Na quinta-feira (30), Mendonça deu aval à abertura de um inquérito para investigar se Lulinha atuou como intermediário de interesses junto ao Ministério da Saúde em negociações relacionadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal.
O pedido foi encaminhado ao STF em 24 de julho e distribuído ao ministro, relator da investigação sobre os desvios bilionários no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), alvo da Operação Sem Desconto. O nome de Lulinha também é citado nesse inquérito.
No dia seguinte, Mendonça autorizou uma segunda investigação para apurar a suspeita de que Lulinha tenha atuado em favor de uma empresa interessada em contratos com a Dataprev, estatal de tecnologia vinculada ao governo federal.
Segundo a Polícia Federal, um empresário do setor de tecnologia teria atuado ao lado do empresário conhecido como "Careca do INSS" e da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para buscar contratos com órgãos federais. A corporação também apura se esse empresário custeou ao menos uma viagem de Lulinha em troca de influência para viabilizar negócios com o poder público.
Atrito com a PF
As autorizações ocorrem em meio ao aumento da tensão entre André Mendonça e a Polícia Federal. A corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) em busca de uma solução jurídica para contestar determinações do ministro sobre a condução da Operação Sem Desconto.
Entre as medidas, Mendonça determinou que todos os atos da investigação sejam imediatamente anexados ao processo sob sua relatoria e que qualquer afastamento de policiais da equipe responsável pelo caso seja comunicado previamente ao STF.