A pressão sobre o setor de combustíveis no Brasil se intensificou com a ampliação de fiscalizações e investigações federais. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, em parceria com Procons estaduais, realizou operação em 42 postos de combustíveis em dez estados para combater preços abusivos, especialmente no diesel, e garantir que reduções nas refinarias cheguem ao consumidor.
Dados recentes da ANP apontam alta de 11,8% no preço médio do diesel em uma semana, enquanto a gasolina subiu 2,5%. Paralelamente, a Polícia Federal instaurou inquérito para investigar suspeitas de cartel e aumentos injustificados, com foco em possível alinhamento de preços entre redes de postos.
Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor, a fiscalização ocorreu em 22 cidades e identificou irregularidades, incluindo aumento indevido de até R$ 2 por litro de diesel e indícios de paralelismo de preços em diferentes regiões.
A escalada dos preços provocou reação de caminhoneiros, que já alertaram o governo sobre a possibilidade de paralisação nacional. A mobilização tem apoio de entidades como a Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil, diante da avaliação de que o custo do diesel tornou a atividade economicamente inviável.
O cenário também afetou o mercado financeiro, com temores de impacto inflacionário em caso de greve às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária sobre a taxa de juros. Investidores acompanham com cautela os desdobramentos.
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, evitou comentar possíveis medidas diante da ameaça de paralisação. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que não há justificativa para greve, destacando ações como a zeragem de tributos federais e a concessão de subsídios para conter os preços.
Na semana passada, o governo federal anunciou um pacote que inclui isenção de PIS/Cofins sobre o diesel, criação de subvenção e reforço na fiscalização. As novas regras preveem punições em casos de armazenamento injustificado e aumentos sem base técnica.
Apesar disso, caminhoneiros afirmam que os benefícios não chegaram integralmente às bombas e criticam falhas na fiscalização. A recente alta anunciada pela Petrobras também teria reduzido o impacto das medidas, mantendo o clima de insatisfação no setor.