As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, não registram pagamentos ou patrocínio ao documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), dirigido pelo cineasta Oliver Stone. A informação foi publicada pelo UOL nesta sexta-feira (9), após a revista Veja divulgar um áudio atribuído ao ex-banqueiro em que ele afirma ter financiado a produção.
O aparelho foi apreendido pela Polícia Federal (PF) em novembro de 2025. Segundo o UOL, as conversas analisadas abrangem o período de produção do filme, lançado em 2024, mas não apresentam registros de transferências ou negociações relacionadas ao documentário. A ausência dessas mensagens, no entanto, não comprova que os pagamentos não tenham ocorrido.
Na gravação divulgada pela Veja, Vorcaro afirma ter destinado cerca de R$ 30 milhões à produção, com pagamentos que teriam ocorrido de forma irregular. A reportagem do UOL aponta divergências entre o áudio e as propostas de delação premiada apresentadas pelo ex-banqueiro. Em uma delas, Vorcaro teria mencionado o financiamento de produções sobre Lula e o ex-presidente Michel Temer nos mesmos moldes do filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
Fontes da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR) ouvidas pelo UOL afirmaram desconhecer a gravação e negaram a existência do documento citado pela revista. A PGR também informou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as tratativas para a delação, rejeitada em junho.
Os produtores do documentário negaram ter recebido recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo. Lula também negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras do ex-banqueiro.
Até o momento, as informações divulgadas não apresentam comprovação documental do suposto patrocínio. O caso ganhou repercussão em meio à disputa eleitoral, após a divulgação do áudio provocar reações das campanhas presidenciais.