O clima de pré-campanha para as eleições presidenciais de 2026 implodiu as pontes de aliança no campo da direita brasileira. Neste fim de semana, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais para disparar contra o ex-governador de Minas Gerais e também pré-candidato ao Planalto, Romeu Zema (Novo). Irritado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro sugeriu um "rompimento geral" das forças bolsonaristas com o partido Novo.
O estopim para a reação intempestiva de Eduardo foi a circulação de um vídeo de uma entrevista de Zema ao canal Brasil Paralelo. Na gravação, o político mineiro subiu o tom e sublinhou as duras críticas que já vinha fazendo ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência que lidera a ala bolsonarista no pleito, devido ao escândalo de suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
"Fiquei indignado e expressei a minha indignação e não mudo em nada. Para mim, quem anda com bandido tem que ser visto com cautela", disparou Romeu Zema na entrevista.
O embate ganhou contornos de hipocrisia mútua quando internautas resgataram que o próprio empresário Daniel Vorcaro já injetou dinheiro na estrutura do Novo. Questionado sobre o assunto pelo portal g1, Zema tentou se esquivar e justificou o recebimento dos valores pela legenda.
"Essa doação aconteceu em 2022, foi para o partido Novo que ele doou, num momento em que não havia nenhuma suspeita. E pelo que eu tenho conhecimento, ele doou valores muito maiores para outros partidos. Até devido ao partido Novo ser pequeno, ele acabou doando só R$ 1 milhão. Deveria ter doado mais", defendeu o mineiro, alegando que o repasse não teve contrapartidas políticas.
A linha de defesa do ex-governador foi o gancho para a contraofensiva de Eduardo Bolsonaro. O irmão de Flávio questionou a coerência de Zema e partiu para a agressão verbal direta na internet:
"E em 2024 quem sabia quem era Vorcaro? E qual era a contrapartida que o Flávio poderia oferecer em 2024, além de sofrer perseguição?", rebateu Eduardo. "Que postura vagabunda, critica Flávio Bolsonaro apenas porque ele queria estar no lugar do Flávio. Por mim rompia geral com o Partido Novo", sentenciou o parlamentar cassado.
O relacionamento entre os Bolsonaro e Romeu Zema, que no passado recente desenhava uma chapa unificada de oposição ao governo Lula, ruiu por completo após vir à tona o vazamento de áudios e mensagens de texto. Os arquivos revelaram o senador Flávio Bolsonaro operando ativamente nos bastidores para pedir recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para bancar os custos do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia laudatória sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Na época em que os áudios vazaram, Zema classificou a postura do senador fluminense como “imperdoável” e um “tapa na cara dos brasileiros de bem”. A crise atingiu o ponto de não retorno quando Flávio admitiu publicamente que continuou se encontrando e mantendo agendas com Vorcaro mesmo após o empresário do Banco Master ter sido alvo de mandados de prisão pelas autoridades federais.