O governo dos Estados Unidos criticou a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota divulgada nesta semana, um porta-voz do Departamento de Estado classificou a decisão como um caso de “perseguição e manipulação jurídica” contra a oposição política brasileira.
Segundo a manifestação, disputas políticas devem ser resolvidas por meio de eleições democráticas, e não por condenações judiciais. A declaração foi divulgada dias após a Primeira Turma do STF condenar Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo.
Por unanimidade, os ministros entenderam que o ex-parlamentar tentou pressionar integrantes do Judiciário e articulou sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras para influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
O caso também repercutiu internacionalmente. Durante a cúpula de Évian, na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump comentou a condenação e afirmou ter tomado conhecimento do episódio após encontro com o presidente brasileiro. Na declaração, porém, confundiu Eduardo Bolsonaro com o senador Flávio Bolsonaro.
Relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes considerou que as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República demonstram a tentativa de interferência em processos judiciais por meio de pressões políticas e ameaças de sanções internacionais. A defesa pediu a absolvição por falta de provas e apontou supostas falhas processuais.