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Flávio Bolsonaro dividia conta com advogado investigado por fraudes no INSS

Data:
Victor Quirino*

Mensagens obtidas pela Polícia Federal apontam vínculo bancário com Willer Tomaz, que nega relação financeira com o senador

Flávio Bolsonaro dividia conta com advogado investigado por fraudes no INSS
Reprodução/Redes Sociais

Emails obtidos pela Polícia Federal (PF) indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, esteve vinculado a uma conta bancária associada ao advogado e empresário Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os dois negam ter compartilhado uma conta.

As mensagens foram encontradas em arquivos armazenados no iCloud durante as investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Em maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou ao banco Santander que retirasse Flávio do perfil de usuário master ligado à conta. A instituição confirmou a exclusão no mesmo dia.

O perfil master permite administrar as operações de uma conta empresarial, enquanto usuários secundários têm acesso limitado às funções autorizadas pelo administrador. Segundo a investigação, os registros justificam aprofundar a apuração sobre as movimentações financeiras do advogado, suas empresas e possíveis relações com agentes públicos. O email, isoladamente, não comprova que o senador tenha recebido dinheiro do esquema investigado.

A PF também identificou pagamentos de empresas ligadas a Tomaz para viagens em jatos executivos utilizados por Flávio e familiares em 2024 e 2025. Entre os deslocamentos identificados está um voo entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília, em janeiro de 2025, no qual estavam o senador, familiares e o advogado.

Outra empresa vinculada a Tomaz custeou viagens internacionais realizadas por Flávio e pelo empresário no primeiro semestre de 2025. Os registros apontam deslocamentos entre Lisboa, Nice, Cascais e Paris, alguns deles acompanhados pelas famílias. A investigação busca esclarecer as relações financeiras e os vínculos entre os envolvidos.

Willer Tomaz entrou na mira da PF em agosto, quando foi alvo de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra beneficiários do INSS. A investigação examina suspeitas de lavagem de dinheiro e a atuação de empresas e escritórios que, segundo os investigadores, poderiam funcionar como estruturas financeiras, patrimoniais e logísticas para pessoas investigadas.

Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou que o senador tenha mantido conta bancária sob administração de Tomaz ou de empresas ligadas ao advogado. A equipe classificou as informações como falsas e afirmou que pretende responsabilizar criminalmente os envolvidos na divulgação. A assessoria de Tomaz também negou o compartilhamento de conta e qualquer relação comercial ou financeira entre os dois.

A defesa do advogado afirmou ainda que as informações teriam sido divulgadas com motivação eleitoral e informou que foram adotadas medidas criminais. Segundo a assessoria, a PF abriu uma investigação para apurar o vazamento de dados sigilosos. Tomaz também mantém relações com outros políticos, entre eles o senador Weverton Rocha (PDT-MA), cujos familiares foram alvos da mesma operação.

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