O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado nesta segunda-feira (26) pela Polícia Federal (PF) a entregar seus passaportes. O parlamentar é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de seu pai, Jair Bolsonaro.
Em uma das investigações, Flávio é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Na última sexta-feira (23), Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado. A decisão também suspendeu atividades de empresas ligadas a ele.
Entre os elementos analisados pela PF está uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, ligada ao advogado, na qual Flávio aparecia com acesso privilegiado. Os investigadores buscam esclarecer a natureza dessa relação e verificar se houve movimentações financeiras realizadas pelo senador. Ele nega irregularidades.
O segundo inquérito apura suspeitas relacionadas à obtenção de recursos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar Dark Horse. A PF investiga tratativas entre Flávio e Vorcaro e busca esclarecer a origem dos valores. O senador afirma que os recursos negociados eram privados e nega ter cometido irregularidades.
Na semana passada, a PF pediu ao ministro André Mendonça, relator desse segundo caso, mais 90 dias para concluir as apurações. A corporação alegou a necessidade de aprofundar diligências, incluindo análises financeiras e procedimentos de cooperação internacional.
A intimação para entrega dos passaportes ocorre após declarações do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que defendeu, em entrevista nos Estados Unidos, que o irmão deixasse o país em caso de derrota eleitoral. A apreensão de passaportes é uma medida que pode ser adotada para impedir que investigados deixem o Brasil.
Mesmo após deixar o Senado, em fevereiro de 2027, Flávio poderá continuar respondendo às investigações no STF. Desde 2025, o entendimento da Corte prevê a manutenção do foro privilegiado para casos relacionados a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas.
*Sob supervisão de Antonio Dilson Neto