Um total de 35.521 votos foi registrado após as 17h de domingo (25), durante o segundo turno das eleições presidenciais, segundo levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou a disputa com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
A votação foi estendida até as 19h nas seções eleitorais que ainda estavam abertas, após decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin. A medida foi tomada depois que as campanhas dos dois candidatos relataram dificuldades que poderiam impedir eleitores de votar.
Campanhas apontaram problemas em diferentes estados
A campanha de Lula pediu mais tempo de votação após receber relatos de problemas no transporte público. As queixas incluíam redução da frota de ônibus, demora nos pontos e cobrança de passagens.

Em São Paulo, a equipe do petista afirmou que apenas cerca de 60% dos ônibus circulavam na capital, apesar de uma determinação judicial para que toda a frota estivesse nas ruas. Também foram relatadas dificuldades em estados como Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.
A campanha de Flávio Bolsonaro também pediu a ampliação do horário, citando chuvas fortes, enchentes e falta de energia em locais de votação de municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina.

Zanin autorizou a extensão até as 19h em todo o país, mas esclareceu que a medida valia apenas para as seções que ainda não haviam encerrado a votação. Durante a aplicação da decisão, a totalização dos votos foi interrompida temporariamente.
Flávio diz que vai pedir anulação da eleição
Depois da confirmação do resultado, Flávio Bolsonaro criticou a decisão de prorrogar a votação e afirmou que recorreria à Justiça para tentar anular a eleição.
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou o senador.
O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, confirmou o resultado e informou que telefonou para os dois candidatos ao fim da apuração.
Segundo o ministro, as urnas que já haviam encerrado a votação não poderiam ser reabertas. Por isso, o tribunal bloqueou temporariamente o recebimento dos boletins de urna, impedindo que os resultados parciais fossem acessados durante a interrupção.

Nunes Marques afirmou que milhares de urnas já tinham encerrado a votação quando a decisão foi anunciada. Após a equipe técnica resolver os problemas, a apuração foi retomada.
O ministro também declarou ter segurança no processo eleitoral.
Registros mostram quando os votos foram computados
Para chegar ao número de votos registrados após as 17h, o levantamento analisou dados de 497.897 seções eleitorais. Os arquivos, chamados de logs das urnas, registram os horários de início e encerramento da votação, além de outros eventos ocorridos durante o funcionamento dos equipamentos.
Segundo levantamento feito pelo g1, as confirmações de voto para presidente após as 17h somam um total de 35.521 e se dividem em:
- 30.866 em seções com transmissão identificada como “Totalizado”;
- 4.655 em seções pendentes de validação, ainda em análise;
Esses registros permitem identificar quando os votos foram computados, mas não mostram em quem cada eleitor votou. Os logs também são diferentes dos boletins de urna, que apresentam os resultados de cada seção, e dos Registros Digitais do Voto (RDVs), que armazenam os votos sem identificar os eleitores.
O fato de haver votos registrados após as 17h, por si só, não comprova irregularidade. Um eventual pedido de anulação precisa ser analisado pela Justiça, que deverá avaliar os argumentos apresentados e as circunstâncias da votação.
*Sob supervisão de Antonio Dilson Neto