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Governo da Groenlândia divulga guia de sobrevivência para 'cenário de crise'

Data:
Antonio Dilson Neto

Medida ocorre em meio ao interesse declarado de Donald Trump sobre o território

Governo da Groenlândia divulga guia de sobrevivência para 'cenário de crise'
Reprodução/Getty

O governo da Groenlândia apresentou nesta quarta-feira (21) uma brochura oficial de preparação para crises, em meio ao aumento das tensões geopolíticas envolvendo o território ártico, alvo declarado do interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Intitulado “Preparado para crises – seja autossuficiente por cinco dias”, o material orienta a população a manter estoques mínimos para enfrentar situações extremas. Entre as recomendações estão alimentos para cinco dias, três litros de água por pessoa ao dia, papel higiênico, rádio a pilha, além de armas, munição e equipamentos de pesca.

Em entrevista coletiva na capital Nuuk, o ministro da Autossuficiência, Peter Borg, descreveu o documento como uma medida preventiva. “Funciona como uma apólice de seguro. Não esperamos precisar dela, mas é melhor estar preparado”, afirmou.

Segundo o governo, a elaboração do guia começou ainda no ano passado, inicialmente focada em apagões prolongados de energia, cenário considerado plausível em regiões isoladas do território. Com o agravamento do cenário internacional, o escopo foi ampliado.

A Groenlândia tem cerca de 57 mil habitantes, dos quais quase 90% são Inuits, povos indígenas do Ártico que historicamente dependem da caça e da pesca como base de subsistência. Para o governo local, essas práticas tradicionais seguem sendo estratégicas em situações de emergência.

Na véspera, o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen avaliou que uma ação militar contra a ilha é pouco provável, mas reforçou que o território autônomo ligado à Dinamarca precisa estar pronto para qualquer cenário.

A divulgação do material ocorre enquanto Donald Trump volta a defender publicamente a ideia de “adquirir” a Groenlândia, alegando interesses estratégicos para conter a presença da Rússia e da China no Ártico. Embora tenha afirmado recentemente que não pretende usar força militar, o presidente norte-americano insiste na abertura de negociações imediatas sobre o futuro do território.

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