O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, confirmou que indicou o nome do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski para prestar consultoria jurídica ao Banco Master, instituição que viria a ser liquidada pelo Banco Central meses depois.
A atuação ocorreu após a aposentadoria de Lewandowski do STF, em abril de 2023, quando ele retomou atividades na advocacia privada. À época, seu escritório passou a prestar serviços de consultoria jurídica ao banco, em valores que não foram divulgados. A contratação antecede sua nomeação para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, cargo que assumiu em janeiro de 2024, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em nota, Lewandowski afirmou que, ao aceitar o convite para integrar o governo federal, desligou-se formalmente do escritório e suspendeu seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), encerrando qualquer atuação profissional na advocacia enquanto esteve no ministério.
A indicação do ex-ministro ao Banco Master foi revelada pelo portal Metrópoles e confirmada pelo próprio Jaques Wagner. Segundo o senador, ele foi procurado em busca de referências de um jurista experiente e citou Lewandowski, que havia deixado recentemente o Supremo Tribunal Federal.
“Seguramente o banco considerou a sugestão adequada e decidiu contratá-lo”, afirmou Wagner, por meio de sua assessoria.
O episódio ganha novo peso político e institucional diante do desfecho do Banco Master. Em novembro do ano passado, a instituição foi liquidada pelo Banco Central, após o agravamento de uma crise de liquidez. Paralelamente, um inquérito em tramitação no Supremo Tribunal Federal apura suspeitas de irregularidades envolvendo carteiras de crédito e operações com fundos de investimento.
As investigações são conduzidas pela Polícia Federal, que analisa possíveis fraudes. O empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco, nega qualquer ilegalidade nas operações da instituição.