O ex-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João Carlos Salles, afirmou que o principal problema da instituição hoje é a crise orçamentária, que, segundo ele, impacta diretamente a permanência estudantil e a estrutura da universidade.
“Primeira questão, sem dúvida alguma, porque aquela que atravessa tudo é o problema de orçamento”, disse. Ele destacou que a redução de recursos afeta desde bolsas até o transporte e o espaço físico da universidade. “A universidade tá com uma redução orçamentária significativa que afeta desde o Buzúfiba, as bolsas, ao espaço físico”, afirmou.
Salles também apontou que a situação se prolonga há mais de uma década. “Essa redução tem um peso enorme, se abate sobre nós e atravessa governos muito distintos”, disse, ao citar o período desde 2014 como marco da queda de investimentos.
Para ele, esse cenário contribui diretamente para a evasão estudantil. “É natural que essas pressões conjugadas levem à evasão estudantil”, afirmou. O ex-reitor relaciona o problema à assistência estudantil e às condições de permanência. “A universidade cresceu, acolheu muita gente, sobretudo pessoas em situação de vulnerabilidade, mas você não tem os recursos necessários para fazer com que as pessoas não sofram aqui dentro aquilo que sofrem lá fora”, disse.
Salles defendeu que a universidade precisa fortalecer seu papel social e sua relação com a comunidade. “A universidade pública precisa ser valorizada, mostrar que é importante estar na UFBA”, afirmou.
Ele também criticou a burocratização dos processos internos. “Às vezes o aluno tem dificuldade de conseguir levar adiante uma solicitação, uma queixa, uma demanda parece não ser atendida”, disse. Para ele, é possível corrigir esse cenário com decisões de gestão e maior escuta da comunidade.
“Isso é uma decisão de gestão. A gestão precisa chamar todos os atores e verificar o que está acontecendo”, afirmou.
Salles ainda defendeu uma universidade mais integrada e participativa. “Os conselhos, as assembleias, a movimentação estudantil precisam ter acolhimento”, disse. Segundo ele, a UFBA deve ser “um espaço de realização dos nossos sonhos” e de fortalecimento da ciência, cultura e extensão.