O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tornou públicos, nesta sexta-feira (30), mais de 3 milhões de páginas ligadas ao caso do financista Jeffrey Epstein, numa das maiores liberações documentais já associadas a uma investigação criminal de alto impacto político e midiático no país.
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, o material inclui mais de 2 mil vídeos e cerca de 180 mil imagens, grande parte composta por conteúdo pornográfico comercial. A divulgação, de acordo com ele, marca o encerramento definitivo do processo interno de revisão conduzido pelo departamento.
Blanche foi direto ao responder questionamentos sobre eventual blindagem política. Negou qualquer interferência do presidente Donald Trump e afirmou que a Casa Branca não participou da triagem dos documentos. “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”, declarou.
A fala busca conter uma crise de credibilidade que se arrasta desde dezembro, quando teve início a abertura gradual dos arquivos. No começo do mês, o próprio Departamento de Justiça admitiu, em petição judicial, que havia divulgado apenas 1% do acervo que mantinha sob custódia, apesar das exigências legais.
A liberação integral estava prevista na Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada por Trump, que determinava a publicação completa até o dia 19 de dezembro. O prazo não foi cumprido. Dias depois, em 23 de dezembro, o governo norte-americano tornou públicos mais de 30 mil documentos, revelando vínculos do empresário com políticos, empresários e celebridades. Entre os registros, constava a menção a uma vítima brasileira.
No dia seguinte, o Departamento de Justiça reconheceu que precisaria de “algumas semanas” adicionais para concluir o processo, justificando a demora pela necessidade de cumprir exigências legais e preservar dados sensíveis.
A divulgação agora anunciada tenta colocar um ponto final nesse capítulo, mas não encerra o debate público. O volume e a natureza do material reforçam a dimensão do escândalo e mantêm viva a cobrança por esclarecimentos sobre quem sabia, quem frequentava e quem se beneficiou da rede operada por Epstein.
Condenado por abusar sexualmente de menores e por estruturar um esquema internacional de exploração sexual, Jeffrey Epstein tornou-se símbolo de um sistema que, por anos, transitou entre dinheiro, poder e silêncio institucional. A abertura total dos arquivos era vista como uma promessa de ruptura com esse padrão.