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Lula bate o pé e decide insistir em Jorge Messias para o STF

Data:
Antonio Dilson Neto

Após rejeição inédita na Casa, presidente trata episódio como afronta ao Planalto e prepara cabo de guerra com Davi Alcolumbre

Lula bate o pé e decide insistir em Jorge Messias para o STF
Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou a aliados mais próximos que pretende reenviar ao Senado Federal a indicação de Jorge Messias para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após o advogado-geral da União sofrer uma rejeição histórica e inédita na Casa.

A informação, trazida inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo, mostra que o chefe do Executivo mudou a leitura sobre o revés. Lula passou a tratar o resultado da votação não como uma desidratação ou derrota técnica do perfil de Messias, mas sim como uma clara afronta política ao Palácio do Planalto e à sua prerrogativa constitucional de escolher os membros da Suprema Corte.

A disposição do presidente em insistir no chefe da AGU joga lenha na fogueira da crise política que se arrasta entre o governo federal e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. No entorno de Lula, há uma convicção inabalável de que o parlamentar operou silenciosamente nos bastidores para carimbar a derrota de Jorge Messias, embora publicamente o senador negue qualquer tipo de movimento contra a indicação do Planalto.

Auxiliares presidenciais ponderam, no entanto, que o recuo de Alcolumbre diante da insistência governista é improvável. Caso o nome seja oficialmente reapresentado, o cenário deve se transformar em um dos maiores testes de força institucional dos últimos tempos entre o Executivo e o Congresso.

Após o baque na votação, interlocutores da ala política chegaram a debater alternativas para preencher a cadeira no STF. Houve uma forte pressão interna de setores do Partido dos Trabalhadores (PT) e de movimentos sociais que orbitam o governo pela escolha de uma mulher. A tese, contudo, foi sepultada rapidamente.

Conselheiros argumentaram a Lula que abandonar o nome de Jorge Messias agora seria o equivalente a assinar o recibo da derrota imposta pelo Senado. Além disso, aliados apontaram que qualquer nome feminino escolhido nestas condições nasceria sob a pecha de "plano B", um selo considerado politicamente desastroso pelo núcleo duro do governo. A estratégia adotada, portanto, foi dobrar a aposta e partir para o enfrentamento institucional em vez de ensaiar um recuo estratégico.

O tamanho do desgaste entre Lula e Davi Alcolumbre ficou escancarado na última terça-feira, durante a solenidade de posse do ministro Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Embora o presidente da República e o chefe do Senado estivessem escalados para dividir os assentos principais da mesa de honra, o distanciamento foi absoluto. Testemunhas relataram que os dois praticamente se ignoraram durante todo o evento, limitando-se a um cumprimento protocolar e frio nos bastidores antes do início dos discursos.

Para os aliados do Planalto, a cena pública serviu como a confirmação visual de que as pontes de diálogo estão dinamitadas e de que Alcolumbre assumiu a autoria do bombardeio contra a indicação de Messias.

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