A Polícia Federal identificou transferências que somam cerca de R$ 1,4 milhão para a Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo relatório encaminhado ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 645,4 mil foram enviados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), enquanto outros R$ 750 mil partiram da NTT Brasil, empresa administrada pelo empresário Heric Dias.
Os repasses feitos por Frias ocorreram no fim de 2025, em um intervalo inferior a dois meses. A movimentação chamou a atenção dos investigadores porque o deputado declarou rendimentos mensais de R$ 44 mil, levando a PF a questionar a capacidade financeira para realizar as transferências. As operações aconteceram no mesmo período em que o filme era gravado em São Paulo, entre outubro e dezembro do ano passado.
A Go Up é de propriedade da empresária Karina Ferreira Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Frias. A PF identificou ainda que, entre novembro e dezembro de 2025, a produtora movimentou aproximadamente R$ 19 milhões em operações consideradas atípicas. Entre os pagamentos analisados estão despesas com hospedagem, alimentação e serviços de empresas do setor audiovisual.
Possível ligação com recursos de emendas
A investigação também analisa os R$ 750 mil transferidos pela NTT Brasil para a Go Up. De acordo com a PF, empresas ligadas ao grupo empresarial de Heric Dias receberam cerca de R$ 700 mil do Instituto Conhecer Brasil por meio de um termo de fomento. Posteriormente, a NTT realizou o repasse à produtora do filme.
A própria Polícia Federal ressalta que, até o momento, não é possível afirmar que os R$ 750 mil enviados pela NTT tenham origem direta nos recursos recebidos do Instituto Conhecer Brasil. Para os investigadores, entretanto, a proximidade entre os valores e as datas das movimentações justifica a análise da possível conexão financeira.
Mário Frias foi alvo, nesta quinta-feira (10), de uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de desvios relacionados a emendas parlamentares. A ação, autorizada por Flávio Dino, teve como alvo mais de 50 investigados. A apuração busca esclarecer o destino de recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil e possíveis relações entre os beneficiários das emendas e empresas envolvidas no esquema investigado.