O reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo federal começará a ser pago em 19 de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026. Com a correção, o benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio deverá subir de R$ 675 para R$ 777.
A medida terá impacto adicional de R$ 5,8 bilhões nas contas públicas ainda em 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027. Somados, os valores representam uma despesa extra de R$ 28,5 bilhões nos dois anos.
Segundo o governo, a correção corresponde à reposição da inflação acumulada desde março de 2023, quando o piso de R$ 600 foi estabelecido. O reajuste não altera as regras de acesso ao programa e busca preservar o poder de compra das famílias beneficiárias.
O aumento, porém, não estava previsto no Orçamento original de 2026 nem na proposta orçamentária de 2027. Para acomodar a nova despesa, o governo deverá remanejar recursos de outras áreas. De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, parte do espaço fiscal foi obtida com a redução da fila de benefícios do INSS.
O calendário do reajuste também gerou repercussão política, já que os novos valores começarão a ser pagos poucos dias após o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e antes do eventual segundo turno, previsto para 25 de outubro. O governo sustenta que a medida é uma recomposição inflacionária, enquanto adversários questionam o momento escolhido para a mudança.
A equipe econômica deverá detalhar nos próximos relatórios orçamentários como os recursos serão remanejados para garantir o pagamento dos novos valores. A despesa adicional também deverá ser considerada na elaboração dos próximos Orçamentos.