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Viagens e imóveis aproximam Flávio Bolsonaro de advogado investigado no caso do INSS

Data:
Maria Eduarda Moura

Relação inclui viagens internacionais, uso de imóveis e aeronaves, além de atuação conjunta em processos judiciais

Viagens e imóveis aproximam Flávio Bolsonaro de advogado investigado no caso do INSS
Divulgação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém, nos últimos anos, uma relação próxima com o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo reportagem de O Globo, a relação inclui viagens internacionais, uso de imóveis e aeronaves, além de atuação conjunta em processos judiciais.

Um dos episódios ocorreu em março de 2025, quando Flávio viajou com familiares e amigos para a África do Sul e participou de um safári ao lado de Willer Tomaz e do senador Weverton Rocha (PDT-MA), que também é investigado no caso. A Polícia Federal identificou ainda outras viagens internacionais feitas pelos dois no primeiro semestre daquele ano, incluindo deslocamentos para Portugal e França.

Em janeiro de 2025, Flávio e Willer também viajaram em um jatinho da Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entre seus sócios. De acordo com os investigadores, registros de voos, fotografias, reservas e contratos de aluguel de veículos ajudaram a identificar pelo menos cinco viagens internacionais realizadas pelos dois naquele período.

A relação também envolve imóveis. Em agosto deste ano, Flávio utilizou durante a campanha presidencial um apartamento na Vila Nova Conceição, em São Paulo, pertencente a uma empresa de Willer. O imóvel havia pertencido anteriormente a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado pela PF como operador financeiro do ex-banqueiro. O uso do apartamento foi questionado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o argumento de que a cessão poderia precisar ser registrada como doação eleitoral.

Willer também teria cedido uma casa em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, para que Flávio comemorasse o aniversário de uma das filhas. O advogado afirmou que o imóvel foi disponibilizado por amizade, sem pagamento ou contraprestação. Ele também declarou que as viagens realizadas com o senador foram particulares e custeadas com recursos próprios.

Flávio, por sua vez, afirmou manter uma relação de amizade com Willer e classificou os vínculos como legítimos. O senador negou que as relações indiquem irregularidades e disse que qualquer tentativa de apontar ilegalidades seria uma “mera ilação”. Ele não informou, segundo a reportagem, se teve despesas de viagens pagas pelo advogado.

A investigação da PF contra Willer está relacionada a suspeitas de desvio de recursos de aposentadorias e pensões. Segundo relatório policial citado na reportagem, o advogado teria funcionado como uma espécie de estrutura de apoio financeiro, patrimonial e logístico ao grupo investigado, envolvendo empresas, imóveis, aeronaves e operadores financeiros. Willer nega participação em fraudes contra o sistema previdenciário.

A proximidade entre os dois não é recente. Em 2021, durante a CPI da Covid, Flávio defendeu Willer quando integrantes da comissão discutiam medidas para acessar dados do advogado e se referiu a ele como seu amigo. Os dois também aparecem juntos em processos judiciais, incluindo uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) envolvendo uma disputa empresarial de R$ 159 milhões.

As relações entre Flávio, Willer e pessoas ligadas às investigações envolvendo o INSS e o Banco Master passaram a ganhar maior atenção justamente durante a campanha presidencial. Até o momento, as informações divulgadas apontam para vínculos pessoais, patrimoniais e profissionais, mas não estabelecem, por si só, participação de Flávio nas fraudes investigadas pela Polícia Federal.

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